O futuro das regiões ucranianas sob controle russo é um ponto nevrálgico nas negociações diplomáticas que buscam uma solução para o conflito. A complexidade da situação se reflete nas diferentes perspectivas das partes envolvidas, desde as propostas de cessão territorial até a resistência ucraniana em ceder qualquer porção de seu território.
Um plano apoiado pelo ex-presidente americano Donald Trump propõe a entrega das regiões de Donetsk e Lugansk à Rússia em troca da paralisação dos avanços russos em Kherson e Zaporizhzhia. No entanto, Kiev rejeita veementemente a ideia de ceder qualquer território, considerando-o “temporariamente ocupado”. A recusa ucraniana em abrir mão dessas áreas demonstra a determinação do país em preservar sua integridade territorial.
Donetsk e Lugansk, que formam a bacia industrial de Donbass, são prioridades para o Kremlin. Atualmente, as forças russas controlam a maior parte de Lugansk e uma porção significativa de Donetsk, incluindo suas capitais regionais, de acordo com análises do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW). A região tem sido palco de intensos conflitos desde 2014, quando Moscou apoiou uma revolta separatista pró-Rússia.
Kherson, inicialmente quase totalmente ocupada, teve parte de seu território libertado por uma contraofensiva ucraniana, incluindo a capital regional. Desde então, o rio que serve de fronteira natural estabilizou o front, com a Ucrânia mantendo o controle de centros urbanos importantes. A região vizinha de Zaporizhzhia segue um padrão semelhante, com áreas sob controle russo e ucraniano.
Zaporizhzhia abriga a maior usina nuclear da Europa, controlada pelas forças russas desde as primeiras semanas da invasão. Apesar de desativada, a segurança da usina é uma preocupação constante devido aos combates nas proximidades, com acusações mútuas entre Rússia e Ucrânia sobre ataques à instalação. A situação delicada na usina nuclear de Zaporizhzhia eleva o risco de um desastre nuclear em solo europeu.
Além das regiões cuja anexação é reivindicada pela Rússia, incursões russas também ocorrem em Sumy e Kharkiv, no nordeste da Ucrânia. O Kremlin alega que busca criar uma “zona de amortecimento” para impedir ofensivas ucranianas em território russo. No entanto, Moscou não controla nenhum centro urbano importante nessas regiões.
A Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, representa um caso à parte. Moscou busca o reconhecimento internacional da anexação, mas a comunidade internacional a considera ilegal. Donald Trump chegou a afirmar que a Ucrânia não recuperará o controle da Crimeia. A península, ligada à Rússia por uma ponte estratégica, é um alvo constante de ataques ucranianos.
A vida sob ocupação russa é marcada pela repressão e pela “russificação” dos territórios, segundo autoridades ucranianas. A oposição à ocupação acarreta o risco de detenção, tortura ou morte. O Kremlin é acusado de controlar a educação, a mídia e todos os aspectos da vida cotidiana, além de impor a cidadania russa aos ucranianos. A situação nos territórios ocupados permanece opaca, com relatos de violações dos direitos humanos e tentativas de apagar a identidade ucraniana.
Fonte: http://odia.ig.com.br





