República enfrenta divisão interna sobre a filibuster

Trump pressiona senadores republicanos para eliminar a filibuster e reabrir o governo federal, mas enfrenta resistência interna.
Em meio à mais longa paralisação do governo americano da história, o presidente Donald Trump intensificou a pressão sobre os senadores republicanos para abolir a filibuster (obstrução, em português), a regra que exige apoio de 60 votos para que projetos avancem no Senado. O objetivo é forçar a aprovação de um projeto de gastos que reabra a máquina pública e permita ao governo retomar programas paralisados. O efeito político, no entanto, seria uma ruptura nas tradições da Casa.
Divisão interna entre os republicanos
Nas últimas semanas, Trump multiplicou ataques à barreira parlamentar. Após a vitória do democrata Zohran Mamdani para a Prefeitura de Nova York, o presidente pediu mais uma vez pelo fim das filibusters. “Voltem a aprovar leis e reformas eleitorais”, publicou na Truth Social. A regra, porém, é mais do que um obstáculo numérico: a filibuster é uma tática que permite a um único senador bloquear, por tempo indeterminado, a votação de uma proposta ao se recusar a encerrar um discurso. Com 53 assentos republicanos, o partido de Trump depende de dissidências democratas para alcançar o número necessário.
Temores de consequências futuras
Trump, na última semana, apelou publicamente aos colegas de partido, afirmando que eliminar a filibuster é a “única maneira” de os republicanos aprovarem alguma coisa. No entanto, senadores como John Thune reiteram que não pretendem recorrer ao que se chama de “opção nuclear”, que permitiria alterar regras do Senado com maioria simples. O temor de efeito reverso impede que a pressão presidencial prospere, com muitos republicanos acreditando que, sem a filibuster, uma futura maioria democrata poderia aprovar projetos ambiciosos.
O legado da filibuster
Além de servir como barreira institucional, a filibuster também preserva a influência individual dos senadores, permitindo que condicionem seu apoio a concessões políticas. O impasse expôs uma divisão incomum dentro do Partido Republicano, onde a preservação das regras é vista como uma defesa da identidade da instituição, que se orgulha de operar por consenso e lentidão deliberada. Desde 2021, quando democratas tentaram suspender a filibuster, a regra voltou ao debate em Washington, agora sob uma nova perspectiva, com os republicanos usando o mesmo argumento para conter o presidente.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br










