Trump confirma novas tarifas para o Brasil até amanhã

Presidente dos EUA disse que o Brasil “não tem sido bom” com os americanos e prometeu anunciar taxações entre 25% e 40% até amanhã;

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (9) que o Brasil será alvo de uma nova leva de tarifas comerciais, com alíquotas que devem variar entre 25% e 40%. Segundo ele, o anúncio oficial será feito até esta quinta-feira (10), e as medidas entram em vigor a partir de 1º de agosto. Em tom duro, Trump afirmou que o Brasil “não tem sido bom conosco”.

Presidente dos Estados Unidos prometeu divulgar tarifas brasileiras até esta quinta-feira (10) (Foto: Reuters/ Carlos Barria)

A fala faz parte de uma nova ofensiva tarifária do governo norte-americano, que já começou a notificar países considerados “desleais” com os interesses dos EUA, em especial os que têm se aproximado dos BRICS. As tarifas, segundo Trump, serão aplicadas a produtos estratégicos, como aço, alumínio, e possivelmente insumos agrícolas. “O Brasil estará nesta rodada. Vocês verão o que vamos fazer nas próximas horas”, disse o presidente americano, durante evento em Washington.

A fala gerou reação imediata do governo Lula. O Itamaraty convocou o encarregado de negócios dos EUA em Brasília para prestar esclarecimentos e reafirmou a soberania brasileira sobre sua política comercial. Segundo fontes do Planalto, a avaliação interna é de que Trump está tentando “intimidar” o Brasil às vésperas da renegociação de acordos multilaterais. O presidente Lula, em resposta indireta, afirmou que “ninguém está acima da lei” e que o país continuará defendendo o diálogo, sem abrir mão de seus interesses.

A escalada tarifária de Trump representa uma nova tensão na relação entre Brasil e Estados Unidos, que já tinha sido abalada em abril, quando o governo americano impôs uma tarifa de 10% sobre importações brasileiras de aço e alumínio. Agora, o cerco se amplia com mais agressividade e pode afetar diretamente as exportações brasileiras, especialmente no agronegócio e na indústria pesada.

A ofensiva tarifária também tem impacto político. Em ano pré-eleitoral nos EUA, Trump vem reforçando seu discurso protecionista e usando tarifas como arma geopolítica. Ao mirar o Brasil, o republicano tenta pressionar países que têm ampliado laços com a China, Rússia e demais integrantes dos BRICS.

Do lado brasileiro, a leitura é que essa é uma jogada eleitoral e ideológica. Mas, na prática, o impacto pode ser sentido no bolso dos produtores e exportadores nacionais. O governo Lula tenta agora abrir canais técnicos de diálogo para evitar um prejuízo maior, mas o clima de confronto foi instalado.

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