Fenômenos no Paraná mostram desafios na previsão de tornados e suas causas

Previsão de tornados é limitada a 20 minutos, segundo especialista, devido à rapidez de sua formação.
Previsão de tornados: desafios e limitações
A previsão de tornados, como os que afetaram o Paraná na última sexta-feira (7), é um tema de grande relevância para a segurança pública. Especialistas afirmam que esses fenômenos meteorológicos podem ser previstos com no máximo 20 minutos de antecedência. Ernani Nascimento, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), explica que a identificação de ventos rotacionais, que indicam a formação de tornados, só é possível após a formação das tempestades.
Tornados no Paraná: eventos recentes
Na última sexta-feira, três cidades paranaenses — Rio Bonito do Iguaçu, Turvo e Guarapuava — foram atingidas por tornados. O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) confirmou a ocorrência desses fenômenos, classificando o tornado mais intenso como F3, com ventos estimados entre 300 km/h e 330 km/h. Essa classificação difere da análise do Prevots, um grupo independente de meteorologistas. A região onde ocorreram os tornados é conhecida por ser propensa a esses eventos, devido ao encontro de umidade da Amazônia com massas de ar seco e frio provenientes da Argentina.
Fatores que favorecem a formação de tornados
A umidade é um dos fatores essenciais para a formação de tornados, pois torna a atmosfera instável. O movimento vertical do vento é um componente crítico nesse processo, e a diferença de intensidade entre os ventos na superfície e em altitudes mais elevadas contribui para a formação de tornados. Nos últimos 40 anos, houve um aumento na frequência desses fenômenos na primavera, indicando que condições atmosféricas favoráveis para tempestades severas têm se tornado mais comuns.
Dificuldades na previsão meteorológica
A previsão de tornados enfrenta desafios significativos, conforme apontado pela professora Ana Ávila, pesquisadora do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas em Agricultura (Cepagri) da Unicamp. Segundo ela, a imprevisibilidade dos fatores que levam à formação de tornados complica a previsão. O cisalhamento do vento, que provoca o giro rápido necessário para a formação dos tornados, é difícil de ser detectado pelos radares meteorológicos.
Impacto do desmatamento na formação de tornados
Francisco Mendonça, coordenador do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação em Emergências Climáticas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), destaca que o desmatamento na região pode aumentar a frequência de tornados. Ele aponta que, em 1985, Rio Bonito do Iguaçu tinha 56,8% de cobertura florestal nativa, enquanto atualmente esse número caiu para 24%. A urbanização resulta em ventos mais intensos, que, ao atingir as cidades, têm maior potencial destrutivo.
Conclusão
Os eventos recentes de tornados no Paraná ressaltam a importância de um monitoramento eficaz e da pesquisa contínua sobre as condições climáticas. A previsão de tornados, embora limitada, é crucial para a segurança das populações afetadas. O estudo dos fatores que contribuem para a formação desses fenômenos é essencial para melhorar as práticas de previsão e mitigação de danos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress





