Tarifas dos EUA contra o aço brasileiro sobem nesta semana


A partir de quarta-feira (12), os Estados Unidos vão começar a aplicar uma tarifa de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio, afetando o Brasil e outros países parceiros. O anúncio foi feito após alguns ajustes de Donald Trump nas tarifas para o México e o Canadá, com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, confirmando a data em entrevista à NBC News.

Apesar dos esforços do governo brasileiro para minimizar a tensão sobre as novas taxas de protecionismo norte-americano, a medida deverá impactar fortemente as empresas brasileiras desses setores. Além disso, permanece a incerteza quanto à possibilidade de mais tarifas, uma vez que o governo Trump já indicou que planeja implementar taxas retaliatórias, mencionando especificamente o etanol em um comunicado.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, revelou ter participado de uma videoconferência com Lutnick e comentou que o Brasil está tentando alcançar um acordo mútuo vantajoso com os EUA, embora não tenha sido anunciado adiamento das tarifas. A estratégia do governo de Trump, marcada pela política “America First”, tem como base a insatisfação do setor produtivo americano com a concorrência internacional, além da tentativa de aumentar as barreiras tarifárias a fim de reduzir a influência da China no comércio global e enfraquecer os BRICS, principalmente devido à proposta de criação de uma moeda alternativa ao dólar.

No que diz respeito ao Brasil, a questão das tarifas brasileiras é complexa. O país cobra uma média de 12,4% sobre as importações, enquanto os países desenvolvidos da OCDE cobram em média 4%. Já os EUA têm uma tarifa de 2,5%. No entanto, graças a regimes especiais de importação, a tarifa real aplicada no Brasil é bem inferior, ficando em torno de 2,7%. Por outro lado, o Brasil isenta 48% das exportações americanas de tarifas, e mais 15% recebem tarifas inferiores a 2%. A grande diferença ocorre no setor do etanol, onde os EUA cobram uma tarifa de apenas 2,5%, enquanto o Brasil aplica 18%.

Em termos comerciais, os EUA ainda são uma das maiores economias para o Brasil, especialmente no setor de produtos industrializados de alto valor agregado, como aeronaves, medicamentos e máquinas. Em 2023, os produtos brasileiros com maior valor agregado representaram US$ 29,9 bilhões em exportações para os Estados Unidos. Entre 2014 e 2023, o Brasil acumulou um superávit comercial com os EUA de US$ 263,1 bilhões.

Quanto ao comércio de aço e alumínio, os EUA apresentam um superávit comercial com o Brasil nos últimos anos. Especificamente, no setor do aço, os Estados Unidos exportaram 3,4 milhões de toneladas de placas de aço para o Brasil, enquanto no alumínio, os EUA compraram 16,8% das exportações brasileiras do metal, o que representou US$ 267 milhões em 2024.

Com a implementação das tarifas, a Associação Brasileira do Alumínio (Abal) alertou para possíveis impactos negativos, como o aumento da competição desleal com produtos de outros países, como a China, e uma possível saturação do mercado interno. Para o Instituto Aço Brasil, o aumento das importações de países que praticam concorrência predatória também pode ser uma preocupação.

Por fim, para os EUA, a tarifa pode ter efeitos mistos. Embora os produtores de aço e alumínio possam se beneficiar com a proteção adicional, o aumento dos preços de insumos para indústrias como a automotiva e construção pode resultar em custos mais altos para os consumidores e outras indústrias. O Deutsche Bank estima que essas tarifas podem elevar a inflação nos Estados Unidos em até 0,4 ponto percentual.


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