Programa forma profissionais para atendimento qualificado e redução das filas em saúde mental nas UBSs

SUS investe na capacitação da atenção básica para atender casos leves de depressão e ansiedade, fortalecendo a rede e reduzindo filas.
Estratégia do SUS para ampliar a atenção básica em saúde mental
O aumento da demanda por atendimento relacionado a transtornos como depressão e ansiedade tem levado o SUS a investir na capacitação da atenção básica para casos leves dessas condições. Desde 2024, municípios como Aracaju, Santos e São Caetano do Sul adotam essa iniciativa, que permite acolhimento e acompanhamento mais próximos do paciente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Evelyn da Silva Bitencourt, coordenadora de produto da ImpulsoGov, destaca que a formação aprimora o atendimento cotidiano, aumentando a resolutividade sem substituir a atenção especializada.
Formação e protocolos usados no atendimento na atenção primária
A capacitação abrange 20 horas de aulas teóricas e cinco meses de prática supervisionada, focando em profissionais como agentes comunitários e técnicos de enfermagem. O principal método ensinado é o Acolhimento Interpessoal (AIP), que estrutura a intervenção em quatro encontros, apoiada por instrumentos como o PHQ-9 para avaliar sintomas depressivos e a escala Columbia para risco de suicídio. Esse protocolo orienta quando manter o acompanhamento na UBS e quando encaminhar o paciente para atenção especializada, evitando agravamentos e intervenções tardias.
Impactos do programa na redução da demanda por especialistas
Em Aracaju, onde o programa foi pioneiro em 2024, a saúde mental representa a terceira maior causa de atendimento na atenção primária. A coordenadora Mayra Oliveira ressalta que, antes da capacitação, havia uma fila de cerca de 10 mil pessoas aguardando psicólogos e psiquiatras, algumas há mais de um ano. Com o fortalecimento da APS, observam-se reduções de 40% a 50% nos sintomas dos pacientes acompanhados, além da diminuição de encaminhamentos para serviços especializados, o que contribui para desafogar o sistema público.
Desafios na adesão e formação dos profissionais da atenção básica
Apesar dos resultados positivos, o programa enfrenta desafios para ampliar a adesão dos profissionais até a conclusão do treinamento. Muitos relatam necessidade de cuidar da própria saúde mental para atender melhor os pacientes, o que evidencia a importância de suporte institucional contínuo. O engajamento e o apoio psicológico aos trabalhadores da saúde são considerados fundamentais para a sustentabilidade da iniciativa.
Testemunhos de profissionais e pacientes que vivenciaram a capacitação
A enfermeira Ana Paula Britto Oliveira Santos, atuante em uma UBS de Aracaju, relata que a formação mudou sua abordagem diante do sofrimento emocional dos pacientes, permitindo intervenções mais eficazes. Já a paciente M.C.A., acompanhada durante o pré-natal, conta que o atendimento em saúde mental a ajudou a superar o luto e a ansiedade, tornando a gestação uma experiência mais leve e positiva. Esses relatos ilustram a importância do cuidado integrado e humanizado na atenção básica.
Supervisão e continuidade do cuidado em casos moderados
O psicólogo Lucas Rosa Palmeira explica que, ao final do ciclo inicial de quatro encontros, o profissional pode iniciar novas sessões se necessário, garantindo continuidade no acompanhamento. Casos mais graves são encaminhados para Centros de Atenção Psicossocial (Caps), enquanto o suporte psiquiátrico remoto possibilita o tratamento medicamentoso na própria UBS, evitando filas e mantendo o paciente próximo da comunidade.
Expansão do programa e perspectivas futuras para a saúde mental no SUS
Com cerca de 125 profissionais treinados até o momento, o programa tem meta de ampliar a capacitação para atender mais unidades e municípios. A parceria entre o SUS, a ImpulsoGov e associações civis como a Umane reforça o compromisso com a promoção da saúde mental na atenção primária, buscando garantir acesso qualificado e humanizado para a população, além de otimizar recursos e fortalecer o sistema público de saúde.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju










