Em Corumbá (MS), o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Carlos Henrique Cotta D’Angelo, criticou a ideia de que fechar fronteiras seria a solução para o combate ao crime organizado. A declaração foi feita durante a posse do novo delegado-chefe da PF local, Alexsandro Pereira de Carvalho, nesta sexta-feira (31).
Cotta D’Angelo classificou a proposta como um “discurso vazio e impróprio”, especialmente no contexto da fronteira com a Bolívia. Segundo ele, culpar a segurança pública e “jogar o problema no colo do outro” é uma estratégia de “bandeira política que só tem a contribuir para o mal”, referindo-se indiretamente à crise de segurança no Rio de Janeiro.
O superintendente usou como exemplo as dificuldades dos Estados Unidos em controlar suas fronteiras, mesmo com recursos superiores. “Não podemos cair nesse discurso vazio e impróprio de que bastaria fecharmos as fronteiras ou exigir uma atuação mais digna do Governo Federal”, ponderou, enfatizando a necessidade de ações integradas.
Para Cotta D’Angelo, o caminho para o combate eficaz ao crime organizado passa pela união de esforços entre as diversas organizações de segurança pública. Ele citou Mato Grosso do Sul como um exemplo bem-sucedido dessa integração, destacando a importância da atuação forte dos estados, conforme previsto na Constituição.
Além das questões fronteiriças, o superintendente ressaltou a importância da delegacia de Corumbá no combate a crimes ambientais no Pantanal. Ele também mencionou o desafio de construir a nova sede da delegacia, que demanda um investimento de R$ 30 milhões, buscando apoio da bancada federal e das prefeituras de Corumbá e Ladário para viabilizar o projeto.





