Após mais de dez anos de declínio, o movimento sindical brasileiro demonstra sinais de recuperação. Dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo IBGE, revelam um aumento de 812 mil trabalhadores sindicalizados em 2024, elevando o total para 9,1 milhões. Essa mudança representa 8,9% da força de trabalho ocupada no país, estimada em 101,3 milhões de pessoas.
Este crescimento interrompe uma tendência de queda contínua desde 2012, quando o Brasil registrava 14,4 milhões de filiados, correspondendo a 16,1% dos trabalhadores. Apesar do aumento recente, o número de sindicalizados ainda representa uma queda de 36,8% em comparação com os dados de 12 anos atrás. A pesquisa indica uma possível mudança de perspectiva entre os trabalhadores, conforme aponta o analista William Kratochwill.
A reforma trabalhista de 2017, que eliminou a obrigatoriedade da contribuição sindical, é apontada como um fator crucial para o distanciamento dos trabalhadores das entidades sindicais. No entanto, o aumento em 2024 sugere uma possível mudança nessa percepção. Kratochwill destaca: “O número de sindicalizados chegou a um valor muito baixo e, talvez, as pessoas estejam começando a verificar novamente a necessidade de se organizar”.
O perfil dos novos sindicalizados revela que a maioria (80%) tem mais de 30 anos, com destaque para a faixa etária entre 40 e 49 anos, que concentra 32% das novas filiações. A falta de renovação entre os jovens é uma preocupação: a taxa de sindicalização entre 14 e 19 anos é de apenas 1,6%, enquanto entre 20 e 29 anos, chega a 5,1%, contrastando com a média nacional de 8,9%.
Setorialmente, a administração pública, educação, saúde e serviços sociais lideram em taxa de sindicalização (15,5%), seguidos por agricultura (14,8%) e indústria (11,4%). Em contraste, serviços domésticos (2,6%) e construção civil (3,6%) apresentam menor adesão. A escolaridade também influencia, com 14,2% dos trabalhadores com ensino superior completo sendo sindicalizados, em comparação com 7,7% entre aqueles com ensino médio completo.
Outro dado relevante é a aproximação entre homens e mulheres nas estatísticas de sindicalização. Em 2012, os homens representavam 61,3% dos sindicalizados, enquanto em 2024 esse número caiu para 57,6%. As mulheres, por sua vez, aumentaram sua representação de 38,7% para 42,4% no mesmo período, demonstrando uma crescente participação feminina no movimento sindical.
A pesquisa do IBGE também aponta para uma redução na quantidade de trabalhadores associados a cooperativas, que caiu de 1,5 milhão em 2012 (6,3% dos ocupados) para 1,3 milhão em 2024 (4,3%). Este é o menor número registrado na série histórica, indicando uma tendência de enfraquecimento do cooperativismo no mercado de trabalho brasileiro.
Fonte: http://soudepalmas.com.br










