Em um encontro promovido pelo Ibef-ES, o renomado cientista Silvio Meira provocou uma reflexão profunda no mundo empresarial: “O planejamento estratégico anual morreu. Já faz muito tempo”. Ele defendeu a necessidade de empresas repensarem suas estratégias e governança diariamente, alertando que o modelo tradicional já não atende às demandas do mercado contemporâneo. A reinvenção constante, segundo Meira, é a chave para a sobrevivência e o sucesso nos negócios.
Meira enfatizou que líderes empresariais devem focar em estratégias contínuas, mirando tanto o presente quanto o futuro. “Estratégia é todo dia para o resto da vida”, completou, durante sua palestra magna no Encontro do Ibef-ES 2025, que reuniu executivos e empresários para discutir inovação, finanças e liderança em tempos incertos. A velocidade das mudanças exige uma renovação estratégica constante.
O professor também criticou a estagnação da governança empresarial, argumentando que conselhos baseados apenas no passado se tornam obstáculos ao crescimento. “Não adianta pensar só com retrovisor”, afirmou. Para Meira, as empresas precisam de conselhos diversos, com pluralidade de experiências e visões, para navegar com sucesso no cenário atual.
Em sua análise, Meira citou exemplos como a Land Rover, paralisada por ataques cibernéticos, e o avanço da indústria chinesa de carros elétricos, inicialmente ignorado por montadoras tradicionais. “Sinais sempre estiveram lá, mas muitos negócios escolhem não ver”, disse, atribuindo essa cegueira à complacência gerada pelo sucesso do modelo atual.
Outro ponto crucial abordado foi a necessidade de reformular as auditorias e o compliance. Meira alertou que empresas com certificados de saúde financeira colapsaram, demonstrando que a inovação exige uma avaliação de riscos futuros, e não apenas passados. “Auditorias certificaram empresas saudáveis meses antes de colapsos bilionários”, lembrou, defendendo que o passado deve ser respeitado, mas não pode limitar a visão de futuro. “O passado paga o presente, não leva ao futuro”.
Alecsandro Casassi, presidente do Ibef-ES, ressaltou a importância do encontro para o ambiente de negócios capixaba. “Estamos vivendo um tempo em que a previsibilidade deixou de ser regra”, afirmou, destacando que o evento prepara líderes e empresas para lidar com as rápidas transformações e cenários de incerteza. Para Casassi, pensar além do óbvio é essencial para a competitividade no mundo atual.










