Embora Mato Grosso do Sul tenha declarado implementar ações de segurança alimentar e nutricional, um levantamento do IBGE revela uma infraestrutura ainda incipiente. A pesquisa Estadic 2024 indica a ausência de equipamentos públicos essenciais, como bancos de alimentos e restaurantes populares, limitando o alcance efetivo das políticas estaduais.
A pesquisa aponta uma lacuna entre a intenção e a execução. O governo estadual, embora afirme realizar ações na área, não detalha a existência de equipamentos diretamente ligados à política de segurança alimentar. O IBGE destaca que essa falta de estrutura física e operacional compromete a efetividade das ações.
A coordenação da área, subordinada à Secretaria Estadual de Assistência Social e dos Direitos Humanos (SEAD), e não a um órgão específico, pode dificultar a articulação de políticas públicas mais integradas. “Isso pode prejudicar a articulação e a implementação de políticas públicas mais integradas”, ressalta o IBGE.
No entanto, o estado possui uma legislação própria sobre segurança alimentar desde 2011 e conta com uma instância de gestão participativa, um dos instrumentos previstos no Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan). Entre os estados do Centro-Oeste, o Distrito Federal se destaca pela estrutura mais completa, enquanto Mato Grosso apresenta o menor avanço.
Em âmbito nacional, o IBGE aponta uma melhora no cenário da segurança alimentar. A proporção de domicílios brasileiros com algum grau de insegurança alimentar caiu de 27,6% em 2023 para 24,2% em 2024. Em Mato Grosso do Sul, a situação é mais favorável, com 81,5% dos domicílios em segurança alimentar, um avanço em relação ao ano anterior.
Apesar dos avanços, cerca de 2,4% dos lares sul-mato-grossenses, aproximadamente 25 mil domicílios, ainda enfrentam restrições severas de alimentação. O desafio de garantir o acesso à alimentação adequada para todos persiste, mesmo com a existência de leis e ações em andamento.










