Um estudo alarmante revela a crescente influência de facções criminosas em Roraima, expondo uma dura realidade que se estende por toda a Amazônia Legal. A 4ª edição do “Cartografias da Violência na Amazônia”, lançada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) durante a COP30, em Belém, escancara um aumento de 32% na presença dessas organizações em apenas um ano, saltando de 260 para 344 municípios. Os dados, embora já sentidos pela população local, servem como um alerta urgente sobre a escalada da violência e a necessidade de ações efetivas.
O relatório detalha a perigosa convergência entre o crime organizado e os delitos ambientais, impulsionada principalmente pelo narcotráfico. Facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) exploram a região amazônica para fortalecer seu poderio econômico e praticar a lavagem de dinheiro. Roraima, em particular, destaca-se negativamente, com a presença dessas facções em quase todos os seus 15 municípios, com exceção de Uiramutã, embora indícios apontem para uma possível infiltração criminosa também nessa área.
Segundo o levantamento, o PCC exerce hegemonia em 6 municípios de Roraima, enquanto em outros 7 há disputas acirradas com o CV e o Tren de Aragua, facção venezuelana com forte atuação em Boa Vista e Pacaraima. A proximidade com a Venezuela transforma o estado em rota estratégica para o contrabando de armas, minérios e drogas, um comércio ilícito frequentemente controlado por grupos criminosos venezuelanos, como o Tren de Aragua e outros “trens”.
As consequências dessa expansão criminosa já se manifestam no cotidiano de Roraima, com um aumento alarmante da violência e da criminalidade. Operações policiais recentes, como a “Afluência”, “Xawara”, “Kairós” e “Aurum Missum”, demonstram a complexidade e a abrangência dos crimes que assolam o estado, desde o garimpo ilegal em terras indígenas Yanomami até o transporte ilegal de ouro.
Diante desse cenário sombrio, a apatia da sociedade roraimense agrava ainda mais a crise. A conivência com o garimpo ilegal, a venda de votos e a indiferença em relação à corrupção política alimentam a impunidade e fortalecem o crime organizado. Como resume a colunista, “estamos diante de uma realidade preocupante, mas que é ignorada por uma sociedade que defende garimpo ilegal, que vende seu voto, que não liga para cassação de políticos que seguem recorrendo em seus cargos e que acha que a criminalidade que avança sobre o Estado é um problema ‘só de venezuelanos’”.
Fonte: http://www.folhabv.com.br










