O Rio Grande do Norte implementou uma nova política de progressão parcial, permitindo que alunos avancem de série mesmo com dependências em até seis disciplinas no Ensino Médio e três no Ensino Fundamental. A medida, oficializada pela Secretaria Estadual de Educação (Seec) através da Portaria nº 6.452/2025, visa combater a evasão escolar e corrigir desigualdades históricas no estado.
Essa iniciativa surge em resposta às altas taxas de reprovação no RN, que, segundo especialistas, impactam desproporcionalmente alunos de baixa renda e negros. A professora Sandra Gomes, da UFRN, avalia a medida como um avanço, defendendo que a progressão com atividades de recuperação é mais eficaz do que a repetência, que pode levar ao abandono.
Gomes destaca que a reprovação, especialmente em idades mais avançadas, pode gerar um sentimento de deslocamento nos alunos, aumentando as chances de desistência. “Quando o aluno chega aos 14 anos estudando com crianças de 10, é uma sentença de morte educacional”, afirma a professora, enfatizando a importância de estratégias que mantenham os estudantes engajados com a escola.
Contudo, a implementação da progressão parcial também levanta questionamentos sobre o acompanhamento dos alunos e a garantia de uma aprendizagem efetiva. Clesia Melo, coordenadora do curso de Pedagogia da Estácio, ressalta que o sucesso do Regime de Aprovação em Progressão Parcial (RAPP) depende de um acompanhamento contínuo e responsável do percurso escolar de cada estudante.
O RAPP prevê planos de estudos individualizados, com tutoria e apoio de professores e coordenadores, para auxiliar os alunos na recuperação dos conteúdos pendentes. A secretária estadual de Educação, Socorro Batista, reforça que a medida busca romper com a lógica punitiva da reprovação, promovendo uma educação mais justa e acolhedora, sem comprometer o direito à aprendizagem.
Fonte: http://agorarn.com.br





