Em um ato de protesto e desespero, moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, levaram dezenas de corpos para a Praça São Lucas durante a madrugada desta quarta-feira. A ação dramática ocorreu um dia após a megaoperação policial que resultou no maior número de mortes da história do estado, desencadeando forte comoção e indignação na comunidade.
O governo do Rio de Janeiro informou que a operação na Penha e no Complexo do Alemão resultou na morte de 60 supostos criminosos e quatro policiais. Contudo, ainda não há confirmação oficial se os corpos exibidos na praça fazem parte dessa contagem ou se representam vítimas adicionais, o que poderia agravar ainda mais o balanço trágico da ação. A Polícia Militar, por meio do coronel Marcelo de Menezes Nogueira, informou que está investigando o caso.
Segundo relatos obtidos pelo portal G1, os corpos foram retirados da área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, palco dos principais confrontos entre as forças de segurança e traficantes. Moradores alegam que ainda existem corpos de vítimas não resgatadas no alto do morro, evidenciando a dimensão da operação e seus impactos na região. O transporte dos corpos para a praça teve como objetivo facilitar o reconhecimento por parte dos familiares, desesperados por notícias de seus entes queridos.
O ativista Raull Santiago, presente no local durante a remoção dos corpos, descreveu a cena como inédita e brutal. “Em 36 anos de favela, passando por várias operações e chacinas, eu nunca vi nada parecido com o que estou vendo hoje. É algo novo. Brutal e violento num nível desconhecido”, declarou, ressaltando o impacto psicológico e emocional da tragédia na comunidade.
A Polícia Civil informou que o atendimento às famílias para o reconhecimento oficial das vítimas será realizado no prédio do Detran, próximo ao Instituto Médico-Legal (IML). O acesso ao IML será restrito à Polícia Civil e ao Ministério Público, responsáveis pelos exames periciais, enquanto as necropsias não relacionadas à operação serão realizadas no IML de Niterói. A medida busca otimizar o processo de identificação e garantir a lisura das investigações.
Fonte: http://agorarn.com.br










