Medidas impostas desde 2025 complicam a entrada de músicos e companhias estrangeiras nos Estados Unidos

Restrições de viagem do governo Trump afetam severamente artistas internacionais, prejudicando turnês e intercâmbio cultural nos EUA.
Impacto das restrições de viagem do governo Trump para artistas estrangeiros nos EUA
As restrições de viagem do governo Trump, implementadas a partir do último ano, têm gerado sérios obstáculos para artistas internacionais que buscam realizar turnês e apresentações nos Estados Unidos. Em novembro de 2025, a banda africana Tinariwen, vencedora do Grammy e com maioria dos membros vindos do Mali, anunciou uma extensa turnê pelos Estados Unidos e Canadá para este ano, mas os planos foram abruptamente cancelados em dezembro após a imposição das novas regras. Patrick Votan, empresário do grupo, afirmou que não há expectativa de reversão no curto prazo, impactando não só o Tinariwen, mas diversos outros artistas.
Regras mais rígidas e suspensão no processamento de vistos dificultam ingresso
O Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) adotou uma suspensão no processamento de petições de visto para solicitantes nascidos em cerca de 40 países considerados de “alto risco”, independentemente da cidadania atual do solicitante. Essa medida, aliada às restrições para 19 países, incluindo Mali, Nigéria e outros, tem dificultado severamente a emissão de vistos para artistas estrangeiros. Matthew Tragesser, porta-voz do USCIS, explicou que a suspensão visa garantir uma verificação máxima de segurança. Entretanto, produtores americanos relatam que essa burocracia crescente se traduz em atrasos e cancelamentos que prejudicam a programação cultural do país.
Cancelamentos e prejuízos financeiros em festivais de artes performáticas
O impacto das restrições também foi sentido no cenário dos festivais de artes. Recentemente, o festival Under the Radar, em Nova York, teve que cancelar a apresentação do grupo britânico Quarantine, que não obteve a aprovação dos vistos. Embora os membros tenham cidadania britânica, o nascimento em países restritos, como Nigéria, provavelmente contribuiu para a suspensão do processamento. O cancelamento custou ao festival entre US$ 150 mil e US$ 200 mil, quantia que não será recuperada, evidenciando o efeito direto das novas regras sobre a viabilidade econômica das produções culturais.
Previsão de queda no fluxo de artistas internacionais em 2026
Durante a conferência da Associação dos Profissionais de Artes Performáticas em Nova York, especialistas apontaram para uma crise no intercâmbio cultural. O advogado Matthew Covey previu uma redução de 30% no número de artistas internacionais nos Estados Unidos em comparação com 2024. O aumento dos custos e do tempo no processamento de vistos, que pode chegar a um ano, torna inviável para muitos grupos planejarem turnês, forçando pagamentos elevados para agilizar análises prioritárias e desestimulando a participação estrangeira.
Consequências culturais e econômicas para a indústria artística americana
As restrições não afetam apenas os artistas estrangeiros, mas também produtores, agentes e o público que depende do acesso a uma diversidade cultural. Shanta Thake, diretora artística do Lincoln Center, destacou que as regras atuais criam um ambiente de insegurança e risco econômico, limitando a continuidade de eventos internacionais. Líderes de grupos como Cubanisimo, com trajetória histórica nos Estados Unidos, demonstram tristeza diante do cenário que ameaça o intercâmbio cultural e educacional proporcionado pela música e pelas artes. Assim, as políticas de imigração e segurança adotadas pelo governo Trump refletem diretamente no enfraquecimento da cena artística americana, com efeitos que podem se estender por anos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br










