Enquanto a tradicional lista do IBGE continua a ser dominada por nomes como Maria e José, uma família em Campo Grande desafia a norma e transforma o registro civil em um ato de afirmação cultural. Carlos Porto, em busca de celebrar suas raízes, escolheu nomes de origem yorubá para seus filhos, Arakan e Kayodê, marcando a identidade familiar com significado e história.
Arakan, que significa “vida”, e Kayodê, “aquele que trouxe alegria”, carregam consigo uma poderosa mensagem, segundo o pai. “Juntos, representam ‘vida com alegria’”, define Carlos, que, juntamente com sua esposa Silvia, pesquisou cuidadosamente em dicionários africanos para encontrar os nomes perfeitos. A intenção era clara: inscrever na identidade dos filhos um legado de ancestralidade e pertencimento.
No cartório, a escolha incomum gerou surpresa e questionamentos, com alguns confundindo os nomes com origens indígenas. “Muita gente achou que era nome indígena. Havia surpresa porque parece que o brasileiro acha estranho você colocar um nome com origem própria, africana”, relata Carlos, que, no entanto, não enfrentou resistência burocrática.
Carlos e Silvia sempre incentivaram os filhos a valorizarem seus nomes completos, sem abreviações ou apelidos, como forma de fortalecer sua identidade. “Eles sempre usaram o nome completo, com orgulho. A identidade deles começa ali”, afirma o pai. Essa postura, adotada desde a infância, contribuiu para que Arakan e Kayodê construíssem uma relação positiva com suas raízes.
Para Carlos, a escolha de nomes africanos é um passo importante para combater o apagamento histórico sofrido pela população negra, cujos nomes foram frequentemente substituídos por registros europeus durante a escravidão. “Quando você dá um nome com significado aos seus filhos, você coloca no mundo uma história que não pode mais ser apagada”, conclui, ressaltando o poder transformador de um simples ato.
Atualmente, o Brasil registra mais de 8 mil nomes de origem africana, um número crescente que reflete o desejo de muitas famílias de resgatarem suas origens e celebrarem a diversidade cultural do país. Estudos apontam um aumento no uso desses nomes desde os anos 2000, indicando uma tendência de valorização da ancestralidade africana.










