Entrevista com a sexóloga Ilana Eleá sobre a não monogamia e suas implicações nos relacionamentos

Ilana Eleá fala sobre a monogamia consensual e as fases dos relacionamentos não monogâmicos.
A origem da monogamia consensual
A escritora e sexóloga Ilana Eleá, autora de uma trilogia erótica, argumenta que o conceito de monogamia não é algo natural, mas sim uma construção social. Em sua perspectiva, “ninguém nasce monogâmico”. Em entrevista, ela destaca a necessidade de conversas sobre o que realmente desejamos em um relacionamento.
O que é monogamia consensual?
Ilana define monogamia consensual como uma forma de relacionamento onde todas as partes envolvidas concordam com a estrutura relacional. Este conceito inclui diversas práticas, desde relacionamentos abertos até o poliamor. Segundo ela, o importante é que haja consentimento e comunicação clara entre os parceiros.
O processo de abrir um relacionamento
Abrir um relacionamento, segundo Ilana, é um processo que deve ser feito com cuidado. Ela sugere que antes de discutir a não monogamia, os casais reflitam sobre o que desejam e quais são suas limitações. Esta autoavaliação é chamada de “inventário emocional” e é crucial para o sucesso do relacionamento.
A comunicação como base
A comunicação é um elemento central na proposta de Ilana. Ela afirma que a falta de diálogo pode levar a desconfianças e inseguranças. Para abrir um relacionamento, é essencial que os parceiros conversem abertamente sobre seus desejos, limites e expectativas. Essa prática pode fortalecer a relação e aumentar a intimidade.
Desmistificando mitos sobre a não monogamia
Ilana também aborda os preconceitos que cercam a não monogamia. Muitas pessoas acreditam que abrir um relacionamento é uma forma de encerrar um relacionamento existente, quando, na verdade, é uma escolha consciente que pode enriquecer a vida a dois. Ela enfatiza que a monogamia não é melhor ou pior que a não monogamia, mas sim uma questão de preferência pessoal e escolha.
A realidade dos relacionamentos não monogâmicos
De acordo com Ilana, cerca de 5% a 7% da população adulta na Europa e América do Norte vive em arranjos não monogâmicos, principalmente por meio de relacionamentos abertos. Ela destaca que, embora um terço das relações que se abrem terminem, essa taxa é semelhante à dos relacionamentos monogâmicos. Isso sugere que, independentemente da estrutura, as relações podem ser igualmente desafiadoras.
O papel da sociedade e da cultura
A sexóloga também menciona a pressão social que muitas pessoas sentem para se conformar aos padrões tradicionais da monogamia. Ela argumenta que as normas culturais e as expectativas familiares podem limitar a liberdade individual e a expressão do amor. Ilana defende que a pluralidade nos relacionamentos deve ser considerada e respeitada, permitindo que cada um escolha o que é melhor para si.
Conclusão
Para Ilana Eleá, a monogamia consensual é uma escolha válida, mas não deve ser vista como a única opção. Através de comunicação aberta e autorreflexão, os casais podem explorar diferentes formas de relacionamento que atendam às suas necessidades e desejos. A chave é o consentimento e a vontade de experimentar novas possibilidades, sem medo de julgamentos sociais. O importante é que cada um faça suas escolhas de forma consciente e respeitosa.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: s via BBC










