Especialistas alertam que mudança no calendário vacinal americano influencia adesão às imunizações brasileiras

A redução das vacinas infantis nos EUA gera preocupação sobre repercussões na confiança e adesão no Brasil, apesar de diferenças nos sistemas.
A redução das vacinas infantis nos EUA e seu impacto simbólico no Brasil
A redução das vacinas infantis nos EUA de 17 para 11, anunciada no início de janeiro de 2026, apresenta um cenário que, embora não altere diretamente a disponibilidade dos imunizantes no Brasil, preocupa especialistas quanto ao impacto na confiança do público brasileiro. O infectologista José Cerbino destaca que, no Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde está diretamente ligada à oferta gratuita, diferente do modelo americano. Essa mudança no calendário dos Estados Unidos pode influenciar a percepção dos brasileiros, prejudicando a adesão às vacinas essenciais.
Entendendo a mudança no calendário vacinal americano e suas justificativas
As vacinas contra hepatite A e B, influenza, meningite, rotavírus e vírus sincicial respiratório foram retiradas da recomendação geral dos CDC (Centros de Controle de Doenças) dos EUA para crianças, mas permanecem indicadas para grupos de risco. A decisão foi baseada em uma revisão do calendário de 20 países desenvolvidos, buscando consenso sobre as vacinas consideradas prioritárias. A secretaria de saúde americana garantiu que os planos de saúde continuarão cobrindo as vacinas recomendadas anteriormente em 2026, mantendo a oferta para quem desejar se imunizar.
Desafios da decisão compartilhada na vacinação infantil
Patrícia Vanderborght, especialista em imunização humana, analisa que a prática de decisão compartilhada entre médico e paciente, adotada nos EUA, é positiva em teoria, mas apresenta limitações na prática. A transferência da responsabilidade para os pais pode resultar em menor adesão, impulsionada por dúvidas ou medos infundados. Esse cenário pode ser agravado pela influência de figuras públicas antivacina, como o secretário de saúde americano, conhecido por declarações controversas e pela dissolução do Comitê Consultivo de Imunização.
O movimento antivacina, seus efeitos e o papel dos EUA na saúde pública brasileira
O movimento antivax, que remonta ao século XVIII, ganhou força recente durante a pandemia de Covid-19. A desconfiança nas vacinas, alimentada por autoridades nos EUA, tem gerado surtos de doenças evitáveis, como o sarampo. Rosana Ritchmann, infectologista e membro do Comitê Técnico Assessor em Imunização brasileiro, ressalta que as análises técnicas estão sendo prejudicadas por decisões políticas nos EUA, afetando a credibilidade global das vacinas. Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, reforça que os EUA exercem influência significativa no Brasil, especialmente diante do aumento da hesitação vacinal.
A situação da vacinação infantil no Brasil e a importância da manutenção da cobertura
Apesar de ter recuperado a certificação de país livre de sarampo em 2024, o Brasil ainda enfrenta desafios para atingir metas de cobertura vacinal. Em 2025, apenas duas vacinas infantis alcançaram a meta de 95% do Programa Nacional de Imunizações (PNI), e a vacina contra Covid-19 teve cobertura muito baixa. A desinformação e a desconfiança impulsionadas pela pandemia impactaram negativamente esses índices. Manter altas taxas de vacinação é crucial para conter surtos e proteger a saúde pública, como reforça Vanderborght ao alertar que vírus podem se espalhar globalmente com a mobilidade internacional.
Perspectivas para o futuro e medidas para reforçar a confiança nas vacinas no Brasil
Garantir a confiança do público na vacinação é um desafio diante das mudanças internacionais e do avanço do movimento antivacina. Especialistas defendem comunicação clara, campanhas educativas e a valorização do trabalho técnico dos comitês de imunização brasileiros. A prevenção por meio da vacinação é vista como um direito fundamental da criança, e a redução da cobertura representa uma ameaça à saúde coletiva. A vigilância contínua e o fortalecimento das políticas públicas são essenciais para manter o Brasil protegido contra doenças imunopreveníveis.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reuters










