Um estudo da PUC-Rio revela uma mudança radical no cenário eleitoral brasileiro: o engajamento nas redes sociais se tornou um fator determinante no resultado das urnas. A pesquisa, que analisou 513 campanhas vitoriosas para deputado federal, demonstra uma correlação direta entre o desempenho online e o número de votos em 74% dos estados. Os comícios tradicionais parecem ter perdido espaço para os algoritmos e a viralização de conteúdo.
Os pesquisadores utilizaram dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e métricas do Facebook e Instagram, coletadas através do CrowTangle, ferramenta de monitoramento do grupo Meta. Arthur Ituassu, coordenador do estudo, destaca a influência ‘por baixo de tudo’ da Inteligência Artificial (IA) na produção e disseminação de conteúdo, redefinindo a lógica das campanhas. O surgimento de figuras políticas altamente ativas nas redes, mesmo que com pouco conteúdo, é uma consequência direta dessa tendência.
Além do impacto no número de votos, o estudo também aponta para uma relação entre o uso das redes sociais e a eficiência financeira das campanhas. “Quem mais usa a mídia social tem tido mais eficiência do ponto de vista de precisar de menos recursos para obter votos. Quanto maior o engajamento, menor o custo eleitoral”, explica o estudo. Em 55% dos estados, as campanhas mais engajadas foram também as mais econômicas, indicando uma nova dinâmica na disputa por votos.
O publicitário José Américo Silva, diretor da Cidade Propaganda, vai além, afirmando que as redes sociais deixaram de ser um complemento e assumiram o papel central nas campanhas. “Elas definem narrativas, revelam candidatos e aproximam o eleitor como nunca antes”, ressalta. Silva também alerta para os riscos do uso da IA, que pode ser tanto um instrumento poderoso para o bem quanto para a disseminação de notícias falsas.
Diante desse cenário, o desafio para os atores políticos é claro: incorporar as modernas tecnologias em suas estratégias de campanha, em vez de apenas criticá-las. Caso contrário, correm o risco de entregar o futuro político do país a grupos irresponsáveis, especialmente aqueles ligados à extrema-direita. O estudo da PUC-Rio serve como um alerta para a urgência de uma adaptação à nova realidade eleitoral.










