Novo reajuste no preço do botijão do Gás do Povo traz alterações significativas

Governo federal ajusta valores de referência do botijão de 13 kg após pressão dos revendedores

Novo reajuste no preço do botijão do Gás do Povo traz alterações significativas
Governo ajusta preços do botijão para revendedoras do Gás do Povo. Foto: Folhapress

Governo altera preços do botijão do Gás do Povo após reclamações de revendedores, com Amazonas liderando reajuste.

Reajuste no Gás do Povo gera impacto nas revendedoras

O programa Gás do Povo, que visa fornecer botijões de gás a preços acessíveis para famílias de baixa renda, passou por um reajuste significativo nos preços de referência. Na última publicação do Diário Oficial da União, em 17 de novembro, os Ministérios da Fazenda e de Minas e Energia anunciaram novas tarifas para o botijão de 13 kg, atendendo a uma solicitação das revendedoras que alertaram sobre a insuficiência dos preços iniciais para cobrir os custos operacionais.

Este reajuste é especialmente relevante para o Amazonas, que registrou o maior aumento, com o preço de referência subindo de R$ 94,89 para R$ 113,00. Os novos valores ficarão em vigor até 31 de dezembro, com uma atualização prevista para 2026, conforme estipulado em portaria anterior.

Estados afetados e expectativas do governo

Os novos valores afetam revendedores credenciados em dez estados: Amazonas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. O governo espera que 60 mil revendedoras possam participar do programa, que já beneficia cerca de 15,5 milhões de famílias de baixa renda, oferecendo botijões de gás a custo reduzido.

Críticas e desafios enfrentados

A correção dos preços ocorreu pouco após a inicialização do programa, devido ao descontentamento expresso por entidades do setor, como a Abragás (Associação Brasileira de Entidades de Classe das Revendas de Gás LP). As empresas afirmaram que os preços anteriormente estipulados estavam fora da realidade do mercado, não cobrindo os custos operacionais.

Sergio Bandeira, presidente do Sindigás, comentou sobre a necessidade de um acompanhamento contínuo do programa, afirmando que ajustes serão necessários ao longo do tempo. Ele ressaltou que a indústria nacional não tem capacidade para atender toda a demanda, o que torna a importação uma necessidade.

Remuneração e adesão ao programa

José Rocha, presidente da Abragás, enfatizou que o sucesso do Gás do Povo depende da remuneração justa para os revendedores. Segundo Rocha, a baixa adesão inicial está relacionada à falta de uma relação equilibrada entre o governo e o setor. O presidente da Abragás destacou a necessidade de considerar preços médios regionais, conforme apurados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), para que os valores reflitam a realidade local.

Revisões futuras e modelo de preços

Além do reajuste atual, o governo também implementou a possibilidade de revisões extraordinárias a critério do Comitê Gestor, que podem ser acionadas em situações específicas. Esse modelo, que permite a deliberação de um comitê para os preços, é visto como um entrave por parte dos revendedores, que desejam maior autonomia para ajustar seus preços conforme as condições de mercado.

O MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social) está investindo R$ 94 milhões na primeira fase do Gás do Povo, que teve início no dia 24 de novembro, beneficiando 1 milhão de lares com recarga gratuita de botijões. O programa, que visa alcançar até 15 milhões de famílias até março de 2026, prioriza aquelas inscritas no CadÚnico e com renda per capita de até meio salário mínimo. Com a transição para a entrega direta de vale-recarga, o programa busca se tornar mais eficiente e acessível para as famílias brasileiras.

O futuro do Gás do Povo dependerá da capacidade do governo de manter um diálogo aberto com os revendedores e ajustar as políticas de acordo com as necessidades do mercado. O sucesso dessa iniciativa não é apenas uma questão de preços, mas também da criação de um ambiente de parceria e confiança entre o governo e o setor privado.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress