Reajuste do diesel tem impacto reduzido graças a medidas do governo federal

Magda Chambriard detalha que aumento real seria de R$ 0,70 por litro na ausência do pacote de política pública

Reajuste do diesel tem impacto reduzido graças a medidas do governo federal
Imagem da refinaria Petrobras, cenário das recentes decisões sobre o diesel

Medidas governamentais reduziram o reajuste do diesel de R$ 0,70 para R$ 0,38 por litro, segundo presidente da Petrobras.

Contexto do reajuste do diesel e o pacote do governo federal

O reajuste do diesel anunciado nesta sexta-feira (13) pela Petrobras é resultado direto das medidas tomadas pelo governo federal para conter a alta dos preços internacionais do petróleo. Magda Chambriard, presidente da estatal, afirmou que sem o pacote de ações divulgado na última quinta-feira (12), o aumento seria de R$ 0,70 por litro para o consumidor final, valor consideravelmente superior ao reajuste efetivamente aplicado, de R$ 0,38.

A executiva explicou que o governo instituiu uma política de subvenção que reduz a carga tributária sobre o diesel, especialmente por meio da isenção de impostos federais no valor de R$ 0,32 por litro. Essa ação limita a transferência integral dos custos internacionais para o mercado interno, tornando o impacto para os consumidores “residual”, segundo a presidente.

Detalhes do pacote de medidas e seu efeito sobre o mercado de combustíveis

O programa de subvenção anunciado faz parte de um esforço coordenado para suavizar a volatilidade dos preços do diesel. O mecanismo prevê uma compensação para produtores e importadores do combustível, com a Petrobras já aprovando sua adesão, embora a regulamentação pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) ainda esteja em andamento.

A ANP terá papel crucial ao definir preços de referência em diferentes estados, que funcionarão como teto para as empresas participantes do programa. Além disso, um novo imposto de exportação de petróleo de 12% foi instituído para financiar a subvenção, reduzindo a receita das petroleiras, incluindo a própria Petrobras.

Magda Chambriard avaliou o imposto de exportação sob a perspectiva das atuais cotações internacionais, ressaltando que com o aumento dos preços do petróleo de cerca de US$ 60 para US$ 100 por barril, a taxa não representa motivo de preocupação para a estatal.

Estratégia da Petrobras para garantir abastecimento e estabilidade dos preços

Apesar das preocupações manifestadas por importadores e distribuidoras quanto a possíveis riscos de desabastecimento, a presidente da Petrobras descartou essa hipótese. Ela mencionou uma reunião recente de um comitê especializado que avaliou o cenário e concluiu pela ausência de risco iminente.

Para aumentar a oferta, a estatal está entregando 15% a mais do que suas cotas contratuais e adiou paradas para manutenção em refinarias, garantindo maior produção neste momento delicado. Essa postura demonstra a prioridade em manter o abastecimento e a estabilidade do mercado interno.

Críticas da Petrobras às importadoras privadas e manutenção da política de preços

Magda Chambriard também questionou as reclamações das importadoras privadas, que alegam necessidade de aumento dos preços para viabilizar suas operações. Ela ressaltou que essas empresas vêm atuando no mercado brasileiro há anos e se surpreende com tais reivindicações.

A presidente reforçou que a política de preços da Petrobras permanece inalterada e segue a estratégia de não repassar integralmente a volatilidade das cotações internacionais ao mercado interno. O reajuste de R$ 0,38 por litro para o diesel está alinhado com essa estratégia, que, segundo ela, tem apresentado resultados satisfatórios.

Impactos econômicos e perspectivas futuras para o diesel no Brasil

O reajuste do diesel e as medidas governamentais associadas têm reflexos diretos sobre o custo do transporte e a economia em geral. Ao limitar o aumento do preço do combustível, o governo busca mitigar pressões inflacionárias e proteger setores sensíveis.

Entretanto, a sustentabilidade do programa de subvenção dependerá da continuidade da arrecadação do imposto sobre exportação e do equilíbrio do mercado internacional. A Petrobras, por sua vez, reafirma seu compromisso com a estabilidade e a oferta, garantindo que eventuais ajustes seguirão a política definida sem mudanças abruptas.

Assim, o cenário atual demonstra um esforço conjunto entre governo e Petrobras para administrar uma crise de preços em um ambiente global desafiador, buscando minimizar impactos para a sociedade brasileira.

Fonte: www1.folha.uol.com.br