De gestor eficiente ao homem da sustentabilidade estadual: Rafael Greca se consolida como player em 2026

Ex-prefeito de Curitiba e com mais de 40 anos de vida pública, Greca assumiu papel estratégico no governo Ratinho Junior

Rafael Valdomiro Greca de Macedo, 69 anos, é uma das figuras mais conhecidas e duradouras da política paranaense. Atual secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável, ele assumiu o novo cargo em março de 2025, após dois mandatos consecutivos à frente da Prefeitura de Curitiba, cidade que governou com forte marca pessoal, voltada à inovação urbana e à gestão ambiental.

Ex-prefeito de Curitiba e atual secretário de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca não esconde interesse em ser governador do Paraná (Foto: Ricardo Marajó/ SMCS)

Greca tem no currículo uma trajetória que atravessa quatro décadas, vários partidos políticos e diferentes cargos no Legislativo e no Executivo. Economista e engenheiro civil com especialização em urbanismo, começou a vida pública ainda nos anos 1980. Foi deputado estadual, deputado federal, secretário Estadual de Planejamento e Coordenação Geral do Paraná e ministro do Turismo e Esporte no governo Fernando Henrique Cardoso. Mas foi como prefeito da capital paranaense, primeiro nos anos 1990 e depois no ciclo 2017-2024, que consolidou sua imagem de gestor eloquente, popular e apaixonado por cidades inteligentes.

No comando da Prefeitura, Greca implementou projetos como a Rede Integrada de Transporte Elétrico, o Plano de Mobilidade Sustentável, a ampliação dos Faróis do Saber e da Inovação, além de parcerias internacionais que renderam prêmios à capital. Sob sua gestão, Curitiba foi reconhecida como a “Cidade Mais Inteligente do Mundo” em Barcelona (2023) e como a “Comunidade Mais Inteligente do Mundo” em Nova York (2024), sendo também apontada como a cidade mais sustentável da América Latina pela revista Corporate Knights, do Canadá.

Ao deixar o cargo de prefeito no fim de 2024, passou a ocupar uma das posições mais estratégicas do governo Ratinho Júnior: o comando da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (Sedest). A escolha teve forte peso político e técnico. Na nova função, Greca articula políticas estaduais para áreas como meio ambiente, segurança hídrica, energia limpa, gestão de resíduos e mudanças climáticas. Já lançou, por exemplo, o programa “Empreendedoras da Reciclagem”, que capacita mulheres da Região Metropolitana de Curitiba para atuar como lideranças em cooperativas e negócios sustentáveis.

Um dos eixos de sua atuação atual também é a implementação da chamada “Reserva Hídrica do Futuro”, um projeto que busca garantir segurança no abastecimento de água em tempos de crise climática. Ao lado disso, Greca tem defendido maior incentivo à mobilidade elétrica e à geração de energia solar em equipamentos públicos, uma linha que já vinha sendo fortalecida em Curitiba, com terminais de ônibus abastecidos por placas solares e corredores sustentáveis em obras de BRT, além da Pirâmide Solar do Caximba.

Sua paixão pela capital paranaense não encerrou junto com o fim de seu mandato. Mesmo tendo passado o bastão para seu então vice, Eduardo Pimentel (PSD), Rafael Greca é prefeito emerito da cidade e reconhecido em todos os cantos do Paraná por sua trajetória de dedicação e amor pela adminstração público.

Fora da vida pública, Greca é conhecido por seu lado erudito e folclórico. É autor de livros, membro da Academia Paranaense de Letras e defensor declarado do “Paranismo”, movimento artístico-cultural que valoriza as raízes do Paraná. Também acumula homenagens nacionais e internacionais, como o World Habitat Award (ONU), a Ordem do Rio Branco (Itamaraty) e a Medalha de Jerusalém.

Figura carismática, de discurso rebuscado e muitas vezes teatral, Greca combina erudição com um estilo popular e performático. Seus vídeos em redes sociais, onde fala com entusiasmo sobre arquitetura, literatura, culinária e urbanismo, viralizaram em diferentes momentos das últimas gestões. Ao assumir a Sedest, ele se reinventa mais uma vez, agora como porta-voz da sustentabilidade em escala estadual.

O movimento também consolida a aproximação entre Greca e o governador Ratinho Júnior (PSD), em um tabuleiro político que já mira as eleições de 2026. Se o ex-prefeito será apenas um nome de luxo ou um articulador de primeira linha dentro do governo estadual, o tempo dirá. Por enquanto, sua presença dá peso político, experiência administrativa e visibilidade a uma área estratégica do governo. E reforça o protagonismo do Paraná nas pautas verdes do país.

“Essa pasta me caiu como uma luva”, diz Greca

Em entrevista exclusiva ao Politiza, o secretário falou sobre a atuação na nova pasta, o futuro político e as possibilidade de, mesmo aos 69 anos, entrar em uma disputa majoritária que promete ser acirrada.

Sobre a atuação na secretaria de Desenvolvimento Sustentável, Greca diz que está muito satisfeito com a função que vem ocupando. “Essa pasta serve para mim como uma luva. Eu continuo o grande esforço que Curitiba sempre teve de se tornar a cidade mais inteligente do país, a cidade mais ambientalmente correta, a cidade com a melhor coleta seletiva de resíduos, a cidade mais limpa e saneada do Brasil. Tudo isso agora com um foco estadual, dando atenção para os 399 municípios. Estamos replicando o que deu certo na capital para todos os cantos do Paraná”, diz Greca.

A carreira do adminstrador ressalta suas credenciais para, nas palavras dele, dar pitaco nas cidades dos outros: “Eu fui ministro do Turismo. Coordenei o programa de festividades dos 500 anos de Brasil, fiz a urbanização de Porto Seguro, fiz a Oca do Ibirapuera, arrumei o Cristo Redentor e trabalhei em muitos projetos de urbanismos e de sustentabilidade, mas me cansei de Brasília e quis voltar para o Paraná”, relembra.

Sobre o orgulho de ter sido prefeito de Curitiba, o hoje secretário reforça que é preciso estar onde o povo está. “Ter sido prefeito de Curitiba de maneira venturosa como eu fui, que peguei a cidade ferrada, falida, devendo R$ 2 bilhões, com R$ 600 milhões de dividas previdenciária, devolvi uma cidade com R$ 8 bilhões e meio em caixa. Eu acho que a felicidade do povo nasce da virtude do governante”. diz.

Em relação a não assumir a pasta da Cidade, como era o acordado, Rafael Greca afirma ter se surpreendido, mas destaca que gostou do cargo que ocupa. “Gostei mais de ser secretário de sustentabilidade. Eu mexo com coisas que eu jamais imaginei. Uma torre de 135 metros que vai medir as aferições de carbono necessários para resolver todos os problemas do agronegócio e o ecossistema de inovação das maiores cooperativas do Brasil”, celebra Greca.

O ex-chefe do executivo da capital também destaca a condição de cuidar de centenas de outras cidades, Greca diz que agora pode ajudar diversos outros prefeitos e que isso o faz bem. “Essa secretaria me dá a chance de mexer na cidade dos outros. Por exemplo, eu agora estou arrumando o Jardim Botânico de Londrina. É uma suprema aventura mexer no Jardim Botânico dos pés vermelhos”, diz em tom bem-humorado.

“Eu não posso ser candidato de mim mesmo”

Greca não esconde a vontade de disputar o Palácio Iguaçu em 2026. Mas, para o ex-prefeito da capital, é preciso ter a compreensão de qual as ambições do próprio partido. “Eu não posso ser piá pançudo de achar que vou ser candidato de mim mesmo. O verdadeiro líder vai atrás do seu povo. Eu me dou muito bem com Gilberto Kassab. Foi com ele que eu acertei de trazer o Eduardo Pimentel para o PSD. Foi com ele que nós conversamos da importância de dar ao Ratinho Junior a relevância da qualidade do seu governo. Que era um governo feliz, de profundo diálogo e não de confronto político”, destaca o secretário do Desenvolvimento Sustentável.

Apesar de afirmar entender a negociação do partido, Rafael Greca assume que tem a ambição de suceder Ratinho Junior. “Claro que idealizo. Morro de vontade [de ser governador]. Me aguardem. Se me deixarem ser. A gente tem que combinar com os russos. Os russos são os paranaenses. Um verdadeiro líder é o que vai atrás do seu povo. Qual a medida de querer o poder? Não é o poder pelo poder, pela vaidade, pela ambição. É o poder pela vontade de servir”.

Sobre o secretário de cidades Guto Silva (PSD) e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), Rafael Greca diz haver espaço para todos e reforça que ambos estão do mesmo lado. “Eles são dois jogadores, que se forem pernas de pau, vão perder para mim. Estão no mesmo time e eu quero dribra-los. Eu estou esperando a ocasião. Vamos para o drible. Eu sou mais gordo, mas não se esqueçam que sou bem ágil”.

Em uma eventual disputa contra o senador Sergio Moro (União Brasil), Greca diz que terá prazer em debater com qualquer adversário. “A minha bíblia é o Paranismo. O amor à terra e à gente do Paraná. A obrigação do futuro governador é de ser maior que as Araucárias. Então vamos crescer em debate, em proposta, crescer na alegria de fazer e crescer na ideia de usar uma única medida, que é a medida que realmente importa: o coração”, diz.

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