RACHA NO PT

Divergência entre Gleisi Hoffmann e José Guimarães revela falta de coesão do partido em um dos temas mais sensíveis do país

A divergência entre a ministra Gleisi Hoffmann e o líder do PT na Câmara, deputado José Guimarães, sobre a PEC da Segurança não é apenas um ruído interno: é um sintoma claro de um partido desorientado, incapaz de sustentar uma posição minimamente coesa em um dos temas mais sensíveis do país.

Enquanto Gleisi se apega a um discurso defensivo, preso a dogmas e receios históricos do PT, Guimarães tenta operar no terreno do pragmatismo parlamentar. O embate expõe um partido que fala para si mesmo, não para a sociedade, e que transforma diferenças estratégicas em conflito público — algo incompatível com a responsabilidade de quem governa.

Mais grave é o fato de o PT agir na contramão do próprio governo. Lula, maior liderança da legenda e principal ativo político do partido, tem tentado mostrar que busca apresentar respostas concretas à crise da segurança pública e tenta construir pontes no Congresso. Ainda assim, seu partido e Governo parecem determinados a sabotar esse esforço, preferindo o conforto da divisão interna à disciplina política necessária para governar.

O resultado é previsível: um discurso confuso, uma base fragilizada e um governo exposto. Ao invés de buscar liderar o debate, o PT se perde em disputas internas que só reforçam a percepção de improviso e falta de comando. A oposição agradece.

A PEC da Segurança exige clareza, coordenação e liderança. O PT, porém, entrega divergência, ruído e desarticulação — e Lula  paga o preço por um partido que insiste em agir como se ainda estivesse na oposição, mesmo ocupando o Palácio do Planalto.