Projetos de Lei Sobrepostos: Desperdício de Recursos e Obstáculo à Inovação na Saúde, Aponta Estudo


Um estudo recente revelou que mais de um terço dos projetos de lei apresentados em 2024 no Congresso Nacional repetem ou contradizem normas já existentes. Essa sobreposição, segundo o Instituto de Estudos para Políticas da Saúde (IEPS), demonstra falta de articulação com as políticas públicas vigentes e desconsidera a necessidade de inovação legislativa. O levantamento aponta para um possível desperdício de tempo e recursos públicos, além de dificultar o aprimoramento do Sistema Único de Saúde (SUS).

O estudo “Radar Político da Saúde” analisou 585 projetos de lei relacionados à saúde pública, classificando 26% como contraposições e 11% como sobreposições. Os especialistas do IEPS atribuem essa situação ao esvaziamento do papel das comissões de avaliação, à falta de especialização nos gabinetes parlamentares e à dificuldade de diálogo com órgãos técnicos dos ministérios.

A gerente de relações institucionais do IEPS, Júlia Pereira, alerta para o risco de engessamento de medidas importantes. “É louvável que queira se transformar em lei um programa que tem dado certo, que a gente viu que tem dado certo. Mas, às vezes, esse processo engessa medidas que não precisariam estar em leis”, pondera, destacando a importância da flexibilidade para adaptar as normas a novas evidências.

Embora o estudo reconheça o papel central do Congresso Nacional na formulação de políticas públicas, enfatiza a necessidade de um protagonismo mais efetivo no aprimoramento da saúde pública. O excesso de propostas, muitas vezes redundantes, dificulta essa atuação e impede que o Congresso se concentre em medidas estruturantes e inovadoras para o SUS.

A análise também revela uma lacuna na atenção legislativa às populações específicas. Apenas 19% dos projetos de lei analisados focam em grupos historicamente negligenciados, como negros, indígenas e mulheres, evidenciando a baixa prioridade legislativa para essas populações, o que contrasta com as desigualdades estruturais que impactam diretamente suas condições de saúde.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br


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