Um projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) tem gerado forte reação entre educadores e especialistas em pedagogia. A proposta, de autoria do deputado Douglas Gomes (PL), visa instalar câmeras de áudio e vídeo em todas as salas de aula e áreas comuns das escolas do estado. A medida, segundo o texto, permitiria o acesso às gravações por pais de alunos e pela Polícia, sob pena de suspensão das atividades escolares em caso de descumprimento.
A obrigatoriedade da instalação de câmeras tem sido vista com grande preocupação por lideranças pedagógicas, que temem o impacto negativo na liberdade de ensino e na relação entre professores e alunos. A coordenadora geral do SEPE, Helenita Beserra, expressou sua apreensão: “Acreditamos no trabalho pedagógico do diálogo como instrumento de formação. Vigiar através de câmeras alimenta a ideia de controle”.
A educadora Cláudia Costin também criticou a proposta, alertando para o risco de perseguição ideológica aos professores. “Isso é para perseguir professores”, afirmou. Ela defende o uso de gravações em sala de aula, mas com o objetivo de formação continuada dos docentes, e não para vigilância externa. “Gravar e deixar disponível para políticos verem é particularmente perverso, num contexto em que temos baixa atratividade da carreira de professor”, completou Costin.
A proposta levanta ainda questões sobre a privacidade dos alunos e o clima de confiança no ambiente escolar. O debate sobre o projeto de lei promete ser acalorado nas próximas semanas, com educadores e parlamentares defendendo visões divergentes sobre o tema.
Fonte: http://odia.ig.com.br










