Iniciativa pioneira integra saúde e assistência social, aliviando famílias e inspirando política nacional

O programa Maior Cuidado, de Belo Horizonte, destaca-se no atendimento domiciliar integrado a idosos vulneráveis, agora referência nacional e incluído no plano federal Brasil que Cuida.
O programa Maior Cuidado, referência nacional no cuidado a idosos vulneráveis, tem ganhado destaque em Belo Horizonte por integrar assistência social e saúde pública, oferecendo atendimento domiciliar que apoia famílias em situação de alta vulnerabilidade. A iniciativa foi oficialmente incorporada ao Plano Nacional Brasil que Cuida em dezembro de 2025, marcando um avanço importante na política de cuidado ao idoso no país.
Contexto do Programa Maior Cuidado em Belo Horizonte
Lançado em 2011, o programa visa idosos fragilizados, com dependência ou semidependência, residentes em áreas socialmente vulneráveis. Atualmente, atende cerca de 720 idosos mensalmente, com 210 cuidadores distribuídos nos 37 Centros de Referência da Assistência Social (Cras) da capital mineira.
Esse modelo inovador promove uma atuação interdisciplinar, reunindo equipes de saúde e assistência social para elaborar planos de cuidado personalizados. Cada cuidador acompanha até quatro idosos, dedicando até 20 horas semanais para visitas domiciliares que incluem cuidados básicos, estímulos cognitivos e suporte emocional.
Benefícios e Impactos Comprovados
Pesquisas independentes indicam que os idosos assistidos pelo Maior Cuidado apresentam uma redução de 34% no custo de internações hospitalares quando comparados a perfis semelhantes sem atendimento domiciliar. Além disso, há aumento do acesso a consultas eletivas, reabilitação e significativa diminuição de internações evitáveis.
Dados preliminares da prefeitura de BH apontam ainda para redução de quedas, infecções urinárias e encaminhamentos para instituições de longa permanência, com apenas 3% dos desligamentos terminando em acolhimento institucional em 2025. O investimento anual do município gira em torno de R$ 7 milhões, um valor considerado baixo frente aos custos do acolhimento institucional.
Estrutura e Funcionamento do Atendimento
Perfil dos atendidos: Idosos com mais de 70 anos, renda familiar até três salários mínimos, muitos beneficiários do BPC ou Bolsa Família.
Carga horária: Atendimento de 2 a 4 horas diárias, em dias úteis, com variação conforme necessidade e contexto familiar.
Atividades realizadas: Auxílio no banho e alimentação, administração de medicamentos, práticas de estímulo cognitivo, organização do ambiente, mudança de decúbito e acompanhamento em consultas médicas.
Equipe de cuidadores: 210 profissionais especializados, em sua maioria mulheres, que atuam diretamente no domicílio.
Desafios e Perspectivas Futuras
O envelhecimento populacional e as mudanças na estrutura familiar, como o aumento de idosos que vivem sozinhos ou sem filhos, impõem desafios para o programa, que não substitui a família, mas oferece apoio essencial. Em casos de elevada dependência, o acolhimento institucional ainda se faz necessário.
A oficialização do Maior Cuidado no plano nacional abre caminho para a regulamentação da profissão de cuidador social e para o fortalecimento das políticas públicas de cuidado integrado. O programa também inspira cidades como Salvador, Contagem e municípios cearenses, consolidando-se como exemplo reconhecido pela Organização Mundial da Saúde.
Serviço e Segurança
Atendimento domiciliar contínuo: Segurança para os idosos e tranquilidade para familiares, garantindo assistência de qualidade.
Integração entre setores: Colaboração entre saúde e assistência social potencializa o cuidado.
- Investimento público: Financiamento integral do município para garantir a sustentabilidade do programa.
O Maior Cuidado representa uma resposta eficaz e humanizada aos desafios do envelhecimento e da vulnerabilidade social, promovendo dignidade e qualidade de vida para milhares de idosos e aliviando a sobrecarga das famílias em Belo Horizonte e, agora, em todo o Brasil.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Gregory Rodrigues/PBH










