Reajuste de 15% no benefício ocorre a 17 dias do primeiro turno e busca recuperar apoio social

O governo Lula tratou como 'segredo de Estado' o reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado a 17 dias do primeiro turno das eleições, em meio à queda do presidente nas pesquisas entre a base social.
O Palácio do Planalto manteve sigilo absoluto sobre as discussões e preparativos do reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado na quinta-feira, 17 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais. O aumento eleva o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691, e o valor médio de R$ 675 para R$ 777. A medida ocorre em um momento delicado da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apresenta queda nas pesquisas de intenção de voto entre eleitores de baixa renda.
O tema foi tratado em um círculo restrito do primeiro escalão, com assessores informados apenas instantes antes do anúncio. Lula vinha solicitando alternativas para ampliar o programa, considerada uma marca de suas gestões, mas enfrentava limitações orçamentárias e o contexto eleitoral.
O sinal verde para o reajuste veio após dados preliminares do Orçamento indicarem saldo positivo, permitindo remanejamento de R$ 5,8 bilhões para ampliar o benefício a partir de outubro. A decisão final foi tomada por uma equipe reduzida de ministros e submetida à análise da Advocacia-Geral da União para garantir conformidade legal e evitar problemas na Justiça Eleitoral.
O governo também comunicou a decisão à cúpula do Congresso como medida de cortesia para evitar ruídos institucionais, embora um decreto presidencial não exija aprovação legislativa. A avaliação de governistas é que a medida dificilmente será contestada no Legislativo devido à sua popularidade e alcance.
Apesar do sigilo e da proximidade com o pleito eleitoral, o Ministério do Desenvolvimento Social reforça que o reajuste não é eleitoreiro, mas uma resposta à inflação e ao aumento do custo de vida para as famílias mais vulneráveis. A campanha de Lula busca usar o aumento para reforçar o debate sobre custo de vida e comparar a inflação sob seu governo ao período anterior.
A medida foi recebida com críticas por adversários e com apoio por aliados do presidente, refletindo o momento crítico da disputa presidencial e o cenário político nacional que inclui debates institucionais em curso.










