O governo federal intensificou a mobilização no Congresso para barrar o projeto de lei que visa anistiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos em supostas tentativas de golpe. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, cobrou ação imediata de ministros do Centrão e de outras legendas, visando a formação de uma força-tarefa. O objetivo é impedir que a proposta avance no Legislativo, conforme apurado pelo Agora RN.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos, sinalizou ao Palácio do Planalto que não pretende pautar o tema antes da conclusão do julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, o governo teme que a pressão sobre o parlamentar aumente consideravelmente nas próximas semanas. Nesse sentido, Gleisi defende que ministros com mandato de deputados ou senadores retornem aos seus cargos caso a anistia seja colocada em votação.
O cenário no Congresso é complexo. O PSD, liderado por Gilberto Kassab, liberou seus deputados para votarem como quiserem caso a proposta de anistia entre em pauta. Enquanto isso, as bancadas do MDB e do Republicanos na Câmara demonstram divisão interna. Por outro lado, PP e União Brasil, partidos influentes no Centrão, indicam uma maioria favorável ao perdão.
Em meio à disputa, o Palácio do Planalto busca contrastar a agenda da oposição, focada na anistia, com projetos considerados prioritários para o país. Entre eles, destacam-se a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o programa Gás do Povo e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança.
Motta, por sua vez, tem dialogado com ministros do STF e busca convencer aliados de Bolsonaro a construírem uma proposta alternativa, que não contemple uma anistia ampla e irrestrita. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já se manifestou contrário a um indulto geral, defendendo um projeto que trate apenas da redução de penas em casos de crimes influenciados por multidão, como os atos de 8 de janeiro.
Ainda na esfera judicial, a Primeira Turma do STF retomou o julgamento de Bolsonaro e outros réus do chamado “núcleo crucial” da tentativa de golpe. Interlocutores dos magistrados consideram a condenação de Bolsonaro praticamente certa, embora ainda haja incerteza sobre a extensão da pena. Para o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, “Se não for um projeto de anistia de verdade, nós não temos interesse”.
Em paralelo, o pastor Silas Malafaia, figura central na organização de manifestações bolsonaristas, criticou a exibição de bandeiras dos Estados Unidos em atos recentes. Ele classificou o episódio como “absurdo” e prometeu proibir a prática em futuros eventos, buscando manter o foco nas pautas nacionais e na defesa da anistia a Bolsonaro e aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Fonte: http://agorarn.com.br










