A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira, mais uma fase da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos aplicados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 66 mandados de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal.
Um dos alvos da operação foi o Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), em São Paulo. A entidade tem ligação com José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Milton Baptista de Souza Filho, diretor do sindicato, também é alvo da investigação. O Estadão solicitou um posicionamento do Sindnapi sobre o caso.
Outra entidade sob investigação é a Amar Brasil, que teria recebido cerca de R$ 300 milhões provenientes dos descontos. O presidente da associação, Américo Monte, também foi convocado para depor na CPI do INSS. A PF suspeita que sindicatos e associações foram utilizados para operar um esquema de uso ilegal de dados de aposentados, sem o conhecimento deles, resultando em descontos indevidos.
A Polícia Federal informou que o objetivo principal das buscas é aprofundar as investigações sobre crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais e formação de organização criminosa. Os investigadores também buscam evidências de ocultação e dilapidação de patrimônio por parte dos suspeitos, com indícios de que o dinheiro desviado foi amplamente distribuído.
Em nota, o Sindnapi manifestou surpresa com a operação e reiterou seu repúdio a quaisquer alegações de irregularidades em sua administração. “O SINDNAPI comprovará a lisura e legalidade de sua atuação, sempre em prol de seus associados, garantindo-lhes a dignidade e respeito que são devidos”, afirmou o sindicato.










