Mensagens da PF revelam suposto repasse a Kevin Marques, que nega prestação de serviços e recebimento

PF encontrou mensagens que indicam pagamento de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho do ministro do STF, pelo Banco Master; defesa nega irregularidades.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal indicam que Kevin Marques, advogado e filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kássio Nunes Marques, recebeu pelo menos um pagamento de R$ 500 mil do Banco Master. As informações foram obtidas a partir de mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela PF. Segundo as conversas, o pagamento teria sido intermediado por um diretor jurídico da instituição financeira, possivelmente em mais de uma parcela.
A divulgação dessas mensagens ocorre em meio ao julgamento no STF sobre um pedido de investigação envolvendo o ministro André Mendonça e supostos diálogos com Vorcaro. Durante a sessão, o ministro Nunes Marques negou ter votado em processos ligados ao Banco Master e declarou que seu filho não recebeu valores do ex-banqueiro. Kevin Marques, por sua vez, afirmou não ter prestado serviços ao Banco Master nem recebido pagamentos de Vorcaro.
Segundo a apuração, os pagamentos teriam sido realizados por meio de uma consultoria, configurando uma triangulação financeira para dificultar a identificação da origem dos recursos. A investigação relaciona esses pagamentos a uma votação no STF envolvendo um processo que tratava da responsabilização da União por perdas financeiras de usinas sucroalcooleiras nas décadas de 1980 e 1990, setor no qual Vorcaro possuía empresas e que poderia se beneficiar da decisão favorável.
Documentos indicam que o Banco Master detinha cerca de R$ 10 bilhões em precatórios do setor, cuja valorização dependia do reconhecimento das indenizações pela União. Mensagens da PF mostram que, em outubro de 2024, um diretor do banco enviou a Vorcaro uma planilha confirmando o pagamento mensal de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques. Em julho do ano seguinte, o executivo reforça a necessidade do pagamento.
Além disso, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indica que a empresa Consult Inteligência Tributária recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master entre agosto de 2024 e julho de 2025, valor incompatível com o faturamento declarado pela consultoria, de apenas R$ 25,5 mil. A defesa do advogado afirmou que ele recebeu R$ 281,6 mil da Consult por serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa, sem qualquer relação com o STF.
O caso segue sob investigação, com o STF acompanhando as apurações e o andamento dos processos judiciais relacionados.
Fonte: gazetadopovo.com.br










