Peça reflete perseguição à arte por meio dos poemas de Wislawa Szymborska


Espetáculo no Teatro Paulo Eiró usa história reimaginada da poeta para discutir ataques à criação artística

Peça reflete perseguição à arte por meio dos poemas de Wislawa Szymborska
Cena da peça Projeto Wislawa que aborda a perseguição à arte

Espetáculo usa a trajetória fictícia da poeta Wislawa Szymborska para discutir a perseguição à arte em tempos atuais.

Confira a programação completa do espetáculo “Projeto Wislawa”

Quinta a sábado, às 18h: apresentação da peça no Teatro Paulo Eiró
Domingo, às 19h: sessão de encerramento prevista para 1º de março
Local: Avenida Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro, São Paulo
Ingresso: R$ 20
Classificação indicativa: 12 anos
Elenco principal: Clara Carvalho e Vera Zimmermann

  • Direção e dramaturgia: Cesar Ribeiro

A reimaginação da história de Wislawa Szymborska para refletir sobre perseguição à arte

A proposta do espetáculo “Projeto Wislawa” é provocar uma reflexão sobre a perseguição à arte por meio de uma narrativa ficcional que imagina o assassinato da poeta polonesa Wislawa Szymborska, ganhadora do Nobel de Literatura em 1996. Essa abordagem permite que a peça investigue simbolicamente a tentativa de silenciar a criatividade e a sensibilidade representadas pela poesia. A dramaturgia escrita e dirigida por Cesar Ribeiro enfatiza o conflito entre a vida, simbolizada pela poesia, e a morte, representada pela figura da assassina da poeta no palco.

A criação do espetáculo tem como pano de fundo o período recente em que o setor cultural brasileiro sofreu diversos ataques e desmontes institucionais, especialmente durante o governo de Jair Bolsonaro. Vera Zimmermann, que interpreta Szymborska e outras personagens, destaca que essa obra é um retrato do esforço constante para desqualificar a arte e sua importância social.

Símbolos cênicos e a fusão de estilos musicais que reforçam a mensagem da peça

A cenografia do espetáculo utiliza objetos que representam extremos, como uma cadeira elétrica e um carrinho de bebê, simbolizando o fim e o começo, a morte e a vida. Essa escolha reforça visualmente a tensão vivida pela poeta e a arte em geral frente às ameaças que enfrentam.

Na trilha sonora, a direção optou por uma mistura inusitada entre música clássica e pop contemporâneo. Um exemplo emblemático é o uso da canção “Hello”, do DJ francês Martin Solveig com a banda Dragonette, que cria uma atmosfera de impacto e desconforto, refletindo a colisão entre a sutileza dos poemas e a agressividade da perseguição à arte. Clara Carvalho, responsável por interpretar a assassina da poeta, comenta que essa fricção sonora amplia o efeito dramático da narrativa.

O legado de Wislawa Szymborska diante de regimes autoritários e sua linguagem acessível

Wislawa Szymborska viveu experiências traumáticas durante a ocupação nazista na Polônia e também sob o regime comunista que censurou seu primeiro livro. Mesmo diante dessas adversidades, sua poesia manteve um tom simples, acessível e por vezes irônico, recusando-se a ser refém de sua época. Em “Elogio dos Sonhos”, um de seus poemas mais conhecidos, a autora afirma não ser obrigada a refletir apenas sua geração.

Os poemas destacados no espetáculo, como “Agradecimento”, “Um Grande Número” e “Sob uma Estrela Pequenina”, exibem essa leveza que contrasta com temas profundos como tragédia e violência. A leitura expressiva das atrizes, com nuances que flertam com o teatro expressionista e momentos de humor leve, traduz a essência da obra de Szymborska e sua resistência.

A arte como resistência e a importância do olhar atento no cotidiano

“Projeto Wislawa” não apenas revisita o impacto político e social da criação artística, mas também celebra a delicadeza e a importância do olhar atento para os pequenos detalhes do cotidiano, aspecto presente na obra da poeta. A metalinguagem presente em seus versos revela uma reflexão sobre o próprio ato de criar, enfatizando o valor da sensibilidade diante das adversidades.

A peça termina reiterando que, mesmo diante da perseguição e do desmonte cultural, a arte persiste como forma de resistência e expressão humana. A escolha de encenar um atentado fictício reforça o alerta contra as ameaças físicas e simbólicas que a arte enfrenta, convidando o público a valorizar e proteger esses espaços de criação e liberdade.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


Veja também

Palacete dos Leões inaugura exposição a casa é o mundo com patrocínio do BRDE

Exposição A Casa é o Mundo estreia no Palacete dos Leões em Curitiba, promovida por …

64% dos paranaenses apoiam Ratinho Jr. na escolha do sucessor ao governo

Pesquisa Quaest aponta que 64% dos paranaenses acham que Ratinho Jr. deve eleger seu sucessor …

Jean-Noel Barrot afirma que estreitos marítimos são artérias globais inalienáveis

Jean-Noel Barrot destaca que estreitos marítimos são vias cruciais globais e rejeita qualquer obstrução, atribuindo …

Atirador é indiciado por tentativa de assassinato de Donald Trump em evento nos EUA

Cole Tomas Allen foi formalmente indiciado por tentar assassinar Donald Trump durante evento com autoridades …

Viaje Paraná promove curso inovador para líderes de turismo em Foz do Iguaçu

O Viaje Paraná realiza curso pioneiro para líderes de turismo em Foz do Iguaçu, abordando …

Vendas interestaduais das empresas do Paraná crescem 211 em sete anos

Vendas interestaduais das empresas do Paraná cresceram 211% entre 2018 e 2025, impulsionadas por infraestrutura …

Últimas Notícias

Palacete dos Leões inaugura exposição a casa é o mundo com patrocínio do BRDE

Exposição A Casa é o Mundo estreia no Palacete dos Leões em Curitiba, promovida por edital cultural…

64% dos paranaenses apoiam Ratinho Jr. na escolha do sucessor ao governo

Pesquisa Quaest aponta que 64% dos paranaenses acham que Ratinho Jr. deve eleger seu sucessor para o…

Jean-Noel Barrot afirma que estreitos marítimos são artérias globais inalienáveis

Jean-Noel Barrot destaca que estreitos marítimos são vias cruciais globais e rejeita qualquer…

Atirador é indiciado por tentativa de assassinato de Donald Trump em evento nos EUA

Cole Tomas Allen foi formalmente indiciado por tentar assassinar Donald Trump durante evento com…

Viaje Paraná promove curso inovador para líderes de turismo em Foz do Iguaçu

O Viaje Paraná realiza curso pioneiro para líderes de turismo em Foz do Iguaçu, abordando tendências…