Receita Federal considera aumento patrimonial do empresário uma "farsa" e aponta possível ocultação em operações suspeitas

Receita Federal aponta crescimento de 73 vezes no patrimônio de Mansur, indicando declarações fantasiosas e possíveis operações criminosas.
Crescimento patrimonial de João Carlos Mansur e análise da Receita Federal
O patrimônio de João Carlos Mansur cresceu 73 vezes entre 2019 e 2023, segundo análise da Receita Federal, que considera as declarações do empresário uma “farsa”. O salto ocorreu principalmente em 2023, quando Mansur declarou rendimentos próximos a R$ 570 milhões em um único ano, fato que não encontra respaldo nas receitas das suas empresas. Este aumento acentuado levanta suspeitas sobre a origem dos recursos e justifica a investigação em curso.
Investigações relacionadas à Reag e operações suspeitas
João Carlos Mansur, ex-dono da extinta gestora Reag, está no centro de investigações conduzidas pela Polícia Federal envolvendo suspeitas de fraudes no Banco Master e recebimento de recursos de operadores financeiros ligados ao crime organizado em São Paulo. A Reag foi liquidada pelo Banco Central em janeiro de 2026, após a deflagração da Operação Carbono Oculto. A gestora está relacionada a fundos que movimentaram valores bilionários em títulos considerados podres.
Declarações fiscais consideradas fantasiosas pela Receita
A Receita Federal aponta que os lucros e dividendos declarados por Mansur, especialmente os provenientes da empresa Lumabe Participações, são incompatíveis com os resultados financeiros efetivos das companhias envolvidas. Um exemplo citado é o pagamento de dividendos cem vezes maior que a movimentação financeira da empresa, fato que evidencia distorções e possível manipulação nas declarações para justificar o aumento patrimonial.
Estratégias de ocultação de patrimônio e envolvimento em operações ilegais
O relatório da Receita destaca que o patrimônio inflado de Mansur pode ter sido utilizado para ocultar valores em fundos de investimento, dificultando o rastreamento dos reais beneficiários. A fintech BK Bank, ligada a suspeitos de conexão com o PCC, realizou aportes significativos em empresas controladas por familiares de Mansur, indicando um circuito financeiro complexo e opaco que auxilia em fraudes e lavagem de dinheiro.
Impactos e repercussões do caso para o setor financeiro e esportivo
Além das implicações legais, Mansur ocupava cargos importantes como conselheiro do Palmeiras e gestor financeiro do estádio do Corinthians, posições das quais se afastou após a operação da Polícia Federal. O caso evidencia a intersecção entre grandes negócios, o setor esportivo e esquemas ilícitos, suscitando debates sobre a necessidade de maior transparência e fiscalização em ambientes corporativos e esportivos.
Fonte: noticias.uol.com.br





