A expansão do garimpo ilegal tem deixado um rastro de destruição em Uiramutã, município com a maior porcentagem de população indígena no Brasil. A migração em massa de garimpeiros, impulsionada pela expulsão da Terra Indígena Yanomami, transformou paisagens antes intocadas em áreas degradadas pela extração clandestina de ouro e diamante.
O impacto ambiental é alarmante. A cachoeira do Urucá, outrora um ponto turístico de águas cristalinas, agora se assemelha a uma poça de lama. Outros pontos como a cachoeira Sete Quedas e o banho do Urucazinho também sofrem com a poluição, apresentando águas barrentas e impróprias.
Comunidades indígenas próximas manifestam sua preocupação diante da devastação, mas o medo de represálias por parte dos garimpeiros armados os impede de agir. Um morador local, que preferiu não se identificar, relatou: “A região do Urucazinho já foi tomada pelos garimpeiros, que utilizam maquinários pesados para extrair ilegalmente ouro e outros minérios preciosos, por isso a lama escorre desses garimpos e suja a água de cachoeiras, rios e corredeiras.”
A ousadia dos garimpeiros se estende ao uso de sentinelas para monitorar a chegada de autoridades e alertar sobre possíveis operações. Esse sistema de vigilância, aliado à comunicação aberta sobre as atividades ilegais em grupos de WhatsApp, dificulta a fiscalização e permite que os criminosos escapem impunes.
Um garimpeiro anônimo, expulso da Terra Yanomami, confirmou a busca por novas áreas de exploração em Uiramutã e na Guiana, motivado pela promessa de riqueza fácil. A situação causa múltiplos impactos na vida dos indígenas, desde a contaminação da água, que afeta a saúde das crianças, até o aliciamento de jovens para o trabalho no garimpo, com o consumo de álcool e drogas.
A Polícia Militar de Uiramutã alega atuar na garantia da ordem pública, mas atribui a fiscalização de crimes ambientais a órgãos federais. Enquanto isso, ICMBio alega que sua atuação se restringe a unidades de conservação federais. Até o momento, PF, MPF, Ministério dos Povos Indígenas e Funai não se manifestaram sobre a situação.
Fonte: http://www.folhabv.com.br










