A recente criação de uma Comissão Especial na Câmara de Palmas para debater a transformação de Taquaruçu Grande em distrito reacendeu antigas discussões na comunidade. O líder comunitário Padre Aderso, em entrevista exclusiva ao Jornal Sou de Palmas, expressou fortes críticas ao processo, à gestão municipal e à alegada ausência de fiscalização ambiental na região.
Padre Aderso destacou a preocupação com a área, classificada como Área de Proteção Ambiental (APA), cuja responsabilidade primária recai sobre o governo do Tocantins. “A preocupação nossa é grande. Ali é APA, região de proteção permanente, e a responsabilidade é do Estado do Tocantins. Como é que o município vai criar um distrito se a responsabilidade é estadual?”, questionou, levantando dúvidas sobre a autonomia municipal para avançar com a distritalização sem um amplo debate técnico e jurídico.
Além das questões ambientais, o líder religioso também apontou para problemas estruturais que afetam a comunidade há anos. Ele criticou a falta de fiscalização por parte da prefeitura, tanto da atual gestão quanto das anteriores, em relação a questões como a preservação do rio Taquaruçu Grande e o controle de loteamentos irregulares. “A incompetência da prefeitura, não só dessa gestão, mas das anteriores, está em não fiscalizar o que acontece”, afirmou.
O abandono de estruturas públicas, como o posto de saúde local, também foi mencionado por Padre Aderso. Segundo ele, a unidade enfrentou longos períodos de deterioração, demonstrando a falta de atenção do poder público às necessidades da comunidade. Ele cobrou maior envolvimento dos vereadores na busca por soluções para os problemas enfrentados pelos moradores.
Diante desse cenário, Padre Aderso defende que a discussão sobre a distritalização de Taquaruçu Grande só deve prosseguir após uma avaliação abrangente dos impactos ambientais, estruturais e administrativos. “O que falta é responsabilidade. Não é só criar distrito, é olhar para a comunidade, para o rio, para a APA, para as crianças, para o que realmente precisa ser feito”, concluiu, reforçando a necessidade de um debate técnico aprofundado e da consideração das reais necessidades da população local. O Jornal Sou de Palmas deixa o espaço aberto para manifestações da Câmara Municipal e da Prefeitura de Palmas sobre os pontos levantados.
Fonte: http://soudepalmas.com.br










