Os átomos são realmente imortais? Entenda essa questão

Uma análise sobre a durabilidade dos átomos ao longo do tempo e seu papel na vida

Os átomos são realmente imortais? Entenda essa questão
Átomos surgiram após o Big Bang, com alguns deles com mais de 13 bilhões de anos. Foto: Cern

Os átomos, formados após o Big Bang, levantam questões sobre sua imortalidade e o que isso significa para a vida.

A origem dos átomos e sua relação com a imortalidade

A questão sobre se os átomos são imortais começa com a origem da matéria. A maior parte dos átomos que conhecemos hoje foi formada logo após o Big Bang, quando a densidade de energia era extrema e, gradualmente, a matéria se consolidou. Marco van Leeuwen, físico do Laboratório Nacional de Física de Partículas da Holanda, explica que a matéria é composta por átomos, que têm um núcleo (prótons e nêutrons) e uma nuvem de elétrons.

O que significa ser imortal?

Para entender se os átomos podem ser considerados imortais, precisamos diferenciar entre as definições de imortalidade na física e na química. Na perspectiva física, os átomos podem continuar a existir mesmo se perderem partículas. Contudo, para um químico, a transformação de um elemento em outro, como o potássio se transformando em cálcio, implica que uma nova substância foi criada. Portanto, para a química, o átomo original não existe mais.

A desintegração dos átomos

Além disso, os átomos podem se desintegrar, liberando prótons e nêutrons e formando novos elementos menores. Matthew McCullough, físico teórico do Cern, ressalta que, embora a desintegração dos átomos seja um processo extremamente lento, isso levanta a dúvida sobre a verdadeira imortalidade dos átomos. A possibilidade de um átomo de hidrogênio se desintegrar é especulativa, mas cálculos indicam que isso levaria mais de 10³⁴ anos, um tempo muito além da vida da Terra e do próprio universo.

Colisões e destruição atômica

No Cern, cientistas realizam experimentos que envolvem colisões de partículas em altas energias, que podem resultar na completa destruição dos átomos, gerando um estado conhecido como plasma de quarks-glúons. Essas colisões refletem como, em condições extremas, os átomos podem ser desintegrados, o que contradiz a ideia de sua imortalidade.

A mortalidade da vida e a imortalidade dos átomos

Embora os átomos possam parecer imortais em um sentido físico, a vida que eles formam é mortal. Betül Kaçar, astrobióloga da Universidade de Wisconsin-Madison, sugere que a diferença entre átomos e vida reside na capacidade de reprodução e interação. Os átomos que compõem a vida podem ser transformados e reaproveitados, mantendo uma continuidade que se estende além da morte.

Conclusão: somos imortais?

Em um sentido mais profundo, Kaçar afirma que, embora os humanos sejam mortais, os átomos que nos compõem continuam a existir e se transformar após nossa morte, tornando-nos parte de um ciclo contínuo de vida. Assim, de certa forma, somos imortais, pois nossos átomos persistem e se tornam parte de novas formas de vida. A capacidade de questionar nossa própria existência e a mortalidade é uma característica única da vida, que continua a nos fascinar e desafiar.

Neste contexto, a discussão sobre a imortalidade dos átomos não é apenas uma questão científica, mas também uma reflexão profunda sobre a própria natureza da vida e da existência.

Fonte: www1.folha.uol.com.br