Uma investigação de dois anos da Polícia Federal (PF) culminou na Operação Uroxis, deflagrada nesta quarta-feira (3), que mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro e contrabando avaliado em R$ 40 milhões. A investigação teve início após denúncia da ex-esposa de um dos envolvidos, que alertou as autoridades sobre a abertura de empresas em seu nome e a sonegação de impostos. A ação resultou no cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão e na interdição de 13 lojas de celulares e um depósito em Campo Grande.
Segundo o delegado Anézio Rosa de Andrade, titular da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz), a ex-esposa descobriu um passivo tributário decorrente da emissão de notas fiscais sem o devido recolhimento de impostos. “É uma investigação que já tem algum tempo, com deferimento, pelo Poder Judiciário, da quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático”, explicou o delegado, evidenciando a complexidade e o aprofundamento das apurações.
A investigação revelou que o grupo também operava no ambiente virtual, comercializando produtos que seriam provenientes de descaminho. Uma das empresas investigadas possui duas filiais em São Paulo, uma na capital e outra em Cajamar, conforme dados da Receita Federal. Até o momento, nenhuma prisão foi efetuada.
O delegado responsável pela investigação destacou a conexão entre o contrabando e outros crimes praticados pela organização. “A partir do momento em que auferem lucro, dinheiro, eles precisam ocultar essa origem ilícita e vão praticar outro crime, que é a lavagem de capitais”, afirmou, ressaltando a escalada de crimes dentro da organização.
Todas as lojas foram interditadas pela PF, assim como um depósito de mercadorias localizado na Rua Azulão. Entre os comércios fechados estão Distech Comércio Atacadista de Componentes Eletrônicos, Gordinho Celulares e Techton Assistência e Acessórios. A empresa Pedrão Celulares também foi alvo da operação.
Wellington da Silva Cruz, apontado como um dos envolvidos, negou as acusações e classificou a ação da PF como abusiva. “Danificou o portão da minha casa, do meu depósito. Não foi apreendido nada que não tenha comprovação fiscal”, declarou ao Campo Grande News, alegando estar sofrendo prejuízos com o bloqueio de suas contas. Ele confirmou ser proprietário de uma empresa na Avenida Afonso Pena, com filiais em Vila Nha Nhá e Cajamar, esta última utilizada para vendas online.










