Em Campo Grande, os suspeitos detidos na Operação Blindagem, que desmantelou uma suposta rede criminosa ligada ao PCC, tiveram suas prisões preventivas mantidas após as audiências de custódia realizadas no sábado (8). A ação do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) prendeu dez pessoas, revelando um esquema que operava de dentro do sistema prisional de Mato Grosso do Sul.
Entre os presos, encontram-se figuras como Tiago Paixão Almeida, apontado como chefe do tráfico no Jardim Tijuca, além de Selma Roas, Alexssandro Pereira, dois policiais penais aposentados, um indivíduo conhecido como Pastorzinho, e a advogada Brenda Yasmin Martins de Freitas. A complexidade do caso envolve diversas áreas e personagens.
Marcos Ivan Silva, advogado de defesa de Tiago, Selma e Alexssandro, critica a forma como as prisões foram efetuadas, alegando que seus clientes não tiveram acesso às informações da investigação. “Essas operações são sempre realizadas na sexta-feira, quando, no sábado e domingo, ninguém tem acesso aos autos. Aí vem a audiência de custódia e ela é feita sem sequer saber por que essas pessoas estão presas”, declarou o advogado.
Silva argumenta que o procedimento é inconstitucional e nega o direito de defesa dos acusados. “Nenhuma dessas pessoas presas nessa operação tem conhecimento de por que está presa. É totalmente inconstitucional”, enfatiza, expressando preocupação com o cerceamento da defesa e a falta de respeito aos direitos dos cidadãos.
O advogado também chama a atenção para a saúde de Tiago Paixão, que, segundo ele, possui problemas pulmonares e cardíacos, além de ter perdido a visão de um dos olhos. “Ele nega qualquer envolvimento. Não tinha telefone, não falou com ninguém. Está em tratamento e precisa de acompanhamento médico constante”, complementa.
A Operação Blindagem, deflagrada na sexta-feira (7), cumpriu 76 mandados judiciais em nove cidades de Mato Grosso do Sul e em outros dois estados. Foram apreendidas armas, munições, cheques de R$ 200 mil e grandes quantias em dinheiro, evidenciando a magnitude da operação.
As investigações apontam para uma organização criminosa atuante no tráfico interestadual de drogas, comércio ilegal de armas, usura e lavagem de capitais, com uma estrutura de blindagem dentro dos presídios. Servidores públicos corrompidos supostamente facilitavam o acesso a celulares e informações sigilosas aos líderes do esquema.
Segundo o Gaeco, a quadrilha mantinha ligações com o PCC, recebendo suporte para expandir o tráfico e autorização para punir devedores com violência. As investigações, que duraram mais de dois anos, revelaram a atuação da rede em diversas cidades, incluindo Campo Grande, Aquidauana e Ponta Porã.
Diante do exposto, a defesa questiona a legalidade das prisões e o respeito às garantias constitucionais. “Todo cidadão tem o direito de saber o motivo da sua prisão e de se defender; isso precisa ser respeitado acima de qualquer operação”, conclui Marcos Ivan, ressaltando a importância do devido processo legal.










