Em um triste prenúncio do Dia da Consciência Negra, o futebol brasileiro se vê novamente manchado por atos de racismo. Desta vez, torcedores e um jogador do Clube do Remo foram alvos de ataques durante e após a partida contra o Avaí-SC, reacendendo o debate sobre a persistência e o combate à discriminação racial no esporte. Os incidentes, ocorridos na 37ª rodada da Série B, demonstram que a luta contra o racismo no futebol ainda enfrenta grandes obstáculos.
Os casos ganharam repercussão após a divulgação de um vídeo nas redes sociais, onde uma mulher, identificada como ex-conselheira do Avaí, profere ofensas racistas e xenófobas contra torcedores paraenses presentes no estádio da Ressacada. Paralelamente, o jogador Reynaldo, do Remo, foi vítima de injúria racial em um áudio também divulgado online, ampliando a indignação e o clamor por justiça.
Diante da gravidade dos fatos, tanto o Remo quanto o Avaí se manifestaram. O clube catarinense informou que a torcedora envolvida foi identificada e suspensa de atividades relacionadas ao clube, enquanto promete investigar o caso e aplicar as punições cabíveis. O Remo, por sua vez, emitiu nota repudiando veementemente os ataques, classificando-os como “clara manifestação de racismo e intolerância” e exigindo a punição dos responsáveis.
O presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF) e vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Gluck Paul, enfatizou a necessidade de ações contundentes. “O racismo é um defeito da sociedade. Essas pessoas têm que ser enfrentadas com coragem. Tem que haver algo até contraditório, que é a intolerância à intolerância”, declarou, ressaltando o compromisso das instituições em combater o crime através de campanhas e da aplicação do protocolo antirracista da FIFA.
Dados do Observatório da Discriminação Racial no Futebol revelam um aumento alarmante de casos em 2023, com 136 registros, quase 40% a mais que no ano anterior. Ricardo Gluck Paul reforçou a importância do comprometimento de clubes e instituições para que as punições sejam exemplarmente aplicadas. “É preciso enfrentar, assumir uma posição… Levar até o final, cobrar a responsabilidade criminal dessas pessoas e acompanhar até o desfecho. Não se pode jogar isso para debaixo do tapete”, concluiu.
Fonte: http://www.oliberal.com










