Ativista russa fala sobre a busca por identidade em meio a hostilidade

O livro "Ferida" de Oksana Vassiákina explora a dor pessoal e a crítica política em um contexto hostil à comunidade LGBTQIA+.
Em meio a um país hostil à comunidade LGBTQIA+, a ativista russa Oksana Vassiákina lança seu livro “Ferida”, que reflete sobre a morte de sua mãe e a busca por identidade. Publicado pela primeira vez em 2021 e chegando ao Brasil em setembro de 2025, a obra aborda a intersecção entre dor pessoal e crítica política.
A relação com a maternidade
O livro explora a relação complexa de Oksana com sua mãe, abordando a dor da perda e a herança de um autoritarismo que marginaliza a comunidade LGBTQIA+. A autora descreve sua mãe como uma “ferida inseparável”, uma presença constante mesmo após a morte. O ato de escrever se torna uma forma de cura e resistência, permitindo a Oksana transformar sua dor em literatura.
Autobiografia e autoficção
“Ferida” é um marco na literatura pós-soviética, misturando elementos de autobiografia e autoficção. Oksana utiliza a imagem do umbigo como uma metáfora para a continuidade da comunicação interrompida com sua mãe e a luta pela própria identidade em um ambiente opressivo. A narrativa não busca reconstruir o passado, mas transformá-lo, criando espaço para a autora existir fora da sombra materna.
A escolha de permanecer
Apesar da crescente hostilidade na Rússia, Oksana decidiu permanecer no país, enfrentando o risco e a solidão. Sua obra, que foi recolhida de livrarias por ser considerada instigadora do movimento LGBTQIA+, representa uma resistência à censura e uma afirmação da visibilidade lésbica. “Ferida” não é apenas um relato sobre luto, mas um ato de resistência e um convite à reflexão sobre o corpo e a identidade em tempos difíceis.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br










