A eleição para o governo do Paraná ganhou um componente explosivo com a entrada do empresário e ex-deputado estadual Toni Garcia na disputa. Filiado ao Democracia Cristã, Garcia deixa claro desde o início: sua candidatura nasce com um alvo definido — o senador Sergio Moro.

Com trânsito no meio político e empresarial, e histórico em diversas eleições, Toni não entra como figurante. Se apresenta como o candidato anti-Moro, sustentando um discurso construído ao longo dos anos.
Garcia vem denunciando de forma recorrente que Moro, quando era juiz da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, teria cometido diversas arbitrariedades no exercício da função. Segundo ele, nesse contexto, foi utilizado como informante, sendo orientado a gravar lideranças políticas do Paraná, inclusive pessoas com foro privilegiado — o que, em tese, não poderia ser alcançado diretamente pela vara.
Ele afirma ainda que atuou sob coação e que essas ações tinham como objetivo criar mecanismos de pressão sobre figuras públicas.

O que antes soava como denúncia isolada passou a ganhar novo peso. O Supremo Tribunal Federal autorizou medidas inéditas, como busca e apreensão em estruturas ligadas à vara que Moro comandava — um fato sem precedentes que ampliou o nível de questionamento.
Politicamente, o movimento de Garcia é claro: transformar esse histórico em plataforma eleitoral.
E há um fator relevante nesse cenário. Sempre que confrontado com essas acusações, Moro demonstra desconforto e evita respostas diretas, o que alimenta ainda mais a controvérsia.
Nesse contexto, Toni Garcia tende a se tornar mais do que um candidato — pode virar um problema político real para Moro.
Porque sua candidatura não disputa apenas votos. Disputa narrativa.
E, quando a eleição vira também um embate sobre o passado, o impacto pode ser imprevisível.










