Novo estudo revela que o aumento do calor nas últimas sete décadas impacta especialmente idosos em diversas regiões do mundo

Calor extremo dobrou em 75 anos, restringindo atividades cotidianas, principalmente para idosos em várias regiões do planeta.
Aumento global do calor extremo restringe a vida cotidiana
O calor extremo tem dobrado globalmente nos últimos 75 anos, tornando-se um fator limitante para atividades diárias essenciais, especialmente para pessoas com 65 anos ou mais. O estudo, publicado em 10 de março de 2026 na revista Environmental Research: Health, revela que regiões da Ásia, África, Austrália e América do Norte enfrentam condições que dificultam a rotina dos idosos, com impactos significativos na saúde e na qualidade de vida.
Impactos do calor nas atividades rotineiras de idosos e adultos
Segundo o cientista climático Luke Parsons, o calor extremo vai além de afetar apenas a sobrevivência ou empregos fisicamente exigentes; ele impede tarefas simples, como passear com o cachorro ou varrer a varanda. Idosos chegam a perder cerca de um mês por ano de atividades devido às altas temperaturas, enquanto adultos mais jovens perdem cerca de 50 horas anuais. Essa condição limita a independência e reduz o tempo para interações sociais e cuidados pessoais.
Regiões críticas e dados específicos do estudo
O estudo analisou registros de calor e umidade de 1950 a 2024, cruzando-os com o Índice de Desenvolvimento Humano para avaliar vulnerabilidades. No Qatar, idosos enfrentam restrições por um terço do ano, e adultos jovens precisam reduzir suas atividades em mais de 800 horas anuais. Nos Estados Unidos, especialmente no sul, idosos perdem até 270 horas por ano em atividades básicas, evidenciando limitações severas em locais tradicionalmente habitáveis.
Consequências sociais e econômicas das restrições impostas pelo calor
A restrição imposta pelo calor extremo afeta não só a saúde física, mas também a economia, já que trabalhadores ao ar livre, como aqueles na construção civil, enfrentam riscos ampliados. A pesquisa destaca que países ricos conseguem amenizar os efeitos com ar-condicionado, mas isso não se aplica a trabalhadores migrantes expostos diretamente às altas temperaturas, aumentando desigualdades sociais e econômicas.
Perspectivas futuras e importância do combate às mudanças climáticas
Com temperaturas globais atingindo níveis recordes em 2024 e o planeta superando o aquecimento de 1,5°C em relação à era pré-industrial, o estudo oferece uma visão preocupante do futuro. Os resultados alertam para a necessidade urgente de políticas públicas e ações globais para mitigar o aquecimento e adaptar populações vulneráveis, especialmente idosos, para evitar que o calor extremo comprometa ainda mais a qualidade e a expectativa de vida.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





