Orientações visam o uso seguro do medicamento no tratamento da insônia

A ABN divulgou diretrizes para orientar médicos sobre o uso do zolpidem no tratamento da insônia.
Diretrizes da ABN para o uso do zolpidem
A recente diretriz da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) sobre o uso do zolpidem, elaborada por um grupo de 15 especialistas de cinco universidades públicas, busca orientar os médicos na aplicação deste medicamento utilizado para tratar insônia. A insônia, que se tornou um problema de saúde pública, especialmente após a pandemia da covid-19, apresenta um aumento significativo no seu tratamento com zolpidem.
Aumento do consumo de zolpidem no Brasil
Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicam que o consumo de zolpidem quase dobrou entre 2018 e 2023, passando de 12,3 milhões de caixas para cerca de 22 milhões. Esse crescimento alarmante levou a Anvisa a adotar medidas mais rigorosas em relação à comercialização do medicamento, incluindo a exigência de receita azul controlada e a aplicação de tarja preta nas embalagens. Em 2024, a venda do medicamento caiu significativamente, com 15,9 milhões de caixas a menos no primeiro semestre, em comparação com o ano anterior.
Principais recomendações da diretriz
As diretrizes estabelecidas pela ABN incluem:
- Avaliação detalhada do paciente: Antes de interromper o tratamento com zolpidem, é essencial realizar uma avaliação minuciosa do paciente para entender suas necessidades e possíveis dependências.
- Redução gradual da dosagem: A interrupção abrupta do zolpidem pode causar efeitos adversos, por isso recomenda-se uma diminuição gradual da dosagem.
- Uso de outras classes de medicamentos: Para tratar a síndrome de abstinência, é recomendado que os médicos considerem o uso de outras classes de medicamentos, visando minimizar os efeitos colaterais.
Risco de dependência e impactos na saúde
O professor de psiquiatria Thiago Fidalgo, da Unifesp, destaca que o sono é vital não apenas para o descanso, mas também para a saúde mental e física. O uso excessivo de zolpidem pode levar à dependência, pois o organismo se adapta rapidamente ao medicamento, exigindo doses cada vez maiores. Além disso, o uso inadequado pode alterar a arquitetura do sono, impedindo que os pacientes atinjam os estágios mais profundos de descanso, o que resulta em uma falsa sensação de recuperação.
Conclusão
As novas diretrizes da ABN sobre o uso do zolpidem são um passo importante para garantir que os médicos tenham as informações necessárias para prescrever este medicamento de forma segura. A conscientização sobre os riscos associados ao uso inadequado do zolpidem é fundamental para proteger a saúde dos pacientes e promover um tratamento mais eficaz para a insônia.
Fonte: cultura.uol.com.br










