Após roubos de obras valiosas, ex-diretor critica falta de vigilância adequada no equipamento cultural de São Paulo

Ex-diretor denuncia negligência na segurança da Biblioteca Mário de Andrade após roubo de obras de arte valiosas em São Paulo.
A negligência na segurança da Biblioteca Mário de Andrade após roubos recentes
A Biblioteca Mário de Andrade, localizada em São Paulo, foi palco de um roubo de obras valiosas há dois meses, envolvendo peças de Henri Matisse e Candido Portinari. Luiz Armando Bagolin, ex-diretor da biblioteca durante a gestão de Fernando Haddad (PT), afirma que houve e continua havendo negligência na segurança do local. Ele ressalta a ausência de uma presença ostensiva da Guarda Civil Metropolitana durante um evento de abertura da exposição com essas obras, fato que chamou sua atenção e gerou críticas sobre a proteção do patrimônio público.
Reações oficiais e defesas da gestão de segurança pública
O secretário de Cultura da cidade, Totó Parente, negou que tenha havido falhas na gestão da Biblioteca Mário de Andrade. Segundo ele, existem patrulhamentos diários e rondas frequentes realizadas pela Guarda Civil Metropolitana, além de vigilância patrimonial privada para segurança interna. Parente também citou o roubo ocorrido no Museu do Louvre, em Paris, para ilustrar que mesmo museus com sistemas de segurança avançados podem ser vítimas de furtos. No entanto, ele admitiu a necessidade de melhorias, anunciando a modernização do sistema de câmeras e a implantação de reconhecimento facial para monitoramento integrado com outros equipamentos culturais da cidade.
Especialistas destacam vulnerabilidade e criticam naturalização dos roubos
A advogada e perita em obras de arte Anauene Dias Soares destaca que o roubo na Biblioteca Mário de Andrade não deve ser naturalizado, mesmo com ocorrências semelhantes em museus internacionais. Ela enfatiza que os roubos no Brasil tendem a ser encarados como parte do risco urbano, enquanto que no exterior resultam em investigações rigorosas e mudanças nos protocolos de segurança. Anauene aponta características do roubo que indicam ação planejada, como a escolha específica das obras e a rapidez da ação, sugerindo que tenha sido encomendado. Esse contexto evidencia a exposição do patrimônio latino-americano e a necessidade de proteção reforçada.
Impactos para o patrimônio cultural e críticas internas
Ex-diretores e gestores anteriores da Biblioteca Mário de Andrade ressaltam que o episódio evidencia a falta de investimentos e planejamento para proteger os patrimônios culturais públicos. José Castilho Marques Neto, diretor em gestões anteriores, chama atenção para a situação de outras bibliotecas e equipamentos culturais que sofrem com a deterioração do acervo devido à descaso estrutural, como umidade, insetos e roubos menores. Ele critica a postura da sociedade brasileira, que só demonstra indignação diante de perdas midiáticas, revelando a fragilidade do sistema de proteção cultural e educacional do país.
Caminhos para a melhoria da segurança e preservação do patrimônio
Diante do ocorrido, as autoridades afirmam que novos sistemas tecnológicos serão implementados para monitorar melhor os equipamentos culturais, incluindo a Biblioteca Mário de Andrade. A interligação das câmeras, reconhecimento facial e central de monitoramento integrada ao programa Smart Sampa são medidas previstas para aumentar a vigilância e evitar episódios similares. Ainda assim, especialistas defendem que essas ações devem ser acompanhadas de políticas de investimento contínuo, treinamento de pessoal e conscientização pública para valorizar e proteger o acervo cultural da cidade e do país, evitando que a negligência persista ou seja ignorada.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reprodução /PM










