Embarcação é chamada de 'barco da morte' por defensores de animais, que exigem mudanças na legislação

Navio com quase 3.000 vacas enfrenta críticas por condições precárias após dois meses no mar.
O navio Spiridon 2, que transporta quase 3.000 vacas, está há mais de dois meses no mar e apenas deve chegar ao Uruguai em 15 de dezembro. Segundo informações de associações de proteção animal, 58 destes bovinos já morreram e cerca de 1.400 estão grávidas. O caso gerou revolta entre defensores dos direitos dos animais, que classificaram a embarcação como o “barco da morte”.
A embarcação deixou Montevidéu em 20 de setembro e chegou a Bandirma, na Turquia, em 22 de outubro, mas foi impedida de atracar devido a problemas na documentação. As autoridades turcas relataram que alguns animais não estavam devidamente identificados, o que levou à negativa de entrada no país.
Após quase um mês em alto-mar, o Spiridon 2 retornou ao mar e agora está a caminho de Benghazi, na Líbia, antes de seguir para Montevidéu. O diretor de Serviços Pecuários do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, Marcelo Rodríguez, afirmou que a situação não se deve a questões sanitárias, mas sim a um litígio comercial.
Condições críticas a bordo
As condições a bordo do Spiridon 2 são alarmantes. As organizações AWF (Fundação do Bem-Estar Animal) e Oipa (Organização Internacional de Proteção Animal) alertaram que não há evidências de que o navio tenha recebido ração, água ou suprimentos veterinários durante a viagem. Além disso, os animais estão vivendo em um ambiente insalubre, forçados a permanecer sobre suas próprias fezes, o que agrava ainda mais a situação.
As associações afirmam que a situação atual é um dos piores casos de transporte de animais da história recente. “Se nada for feito, eles provavelmente serão deixados para morrer no mar”, advertiu um representante da Oipa. A organização pede mudanças na legislação europeia e inspeções mais rigorosas em portos.
Demandas por mudanças na legislação
Os defensores dos direitos dos animais estão exigindo mudanças urgentes nas leis que regem o transporte marítimo de animais. Eles argumentam que a atual legislação falha em garantir o bem-estar dos animais durante longas viagens. A Oipa e a AWF solicitam que a União Europeia intervenha para garantir que situações como a do Spiridon 2 não voltem a ocorrer.
A situação do Spiridon 2 levanta questões sérias sobre os padrões de transporte de animais vivos, um tema que precisa ser abordado com urgência. A pressão para que mudanças sejam implementadas é crescente, e as organizações esperam que a situação atual sirva como um alerta para práticas mais humanas no transporte de animais.
Se não houver uma resposta efetiva por parte das autoridades, a probabilidade de novas tragédias envolvendo o transporte marítimo de animais vivos aumentará, reiterando a necessidade de uma revisão completa das normas atuais.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reprodução Animal Welfare Foundation





