Mulheres lideram iniciativas climáticas e demandam financiamento na COP30


Ativistas ressaltam a importância do apoio financeiro para soluções climáticas lideradas por mulheres

Mulheres lideram iniciativas climáticas e demandam financiamento na COP30
Ativistas discutem soluções climáticas na COP30. Foto: Governo Federal

Na COP30, mulheres destacam suas contribuições para soluções climáticas e pedem mais financiamento.

Mulheres na linha de frente das soluções climáticas na COP30

Na COP30, que ocorre em Belém, as mulheres se destacam como líderes em soluções climáticas, exigindo mais financiamento para suas iniciativas. Ativistas de diferentes países se reuniram para discutir a importância do apoio financeiro em seus projetos, que muitas vezes são negligenciados pelos sistemas de financiamento tradicionais.

Isabel Gakran, uma das vozes proeminentes na conferência, foi a única mulher a discursar na Cúpula de Líderes da COP28, realizada em Dubai. Gakran, cofundadora do Instituto Zág, tem trabalhado no reflorestamento da região do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, com a plantação de 140 mil mudas de araucária desde 2017. Sua presença na COP30 visa aumentar a visibilidade das ações femininas em resposta à crise climática.

Premiações e reconhecimentos a iniciativas femininas

Durante a cerimônia de premiação do Gender Just Climate Solutions Awards, que celebrou uma década de reconhecimento, três mulheres foram premiadas por suas contribuições significativas na mitigação das mudanças climáticas. As premiadas, incluindo um grupo de mulheres indígenas da Bolívia, estão implementando soluções inovadoras, como o uso de balsas feitas de plástico reciclado para a restauração ecológica do lago Uru Uru, afetado pela poluição.

Tatiana Miajela Quiroga, uma das vencedoras, compartilhou a importância de aliar conhecimentos ancestrais e tecnologias modernas. Cada vencedora recebeu US$ 5.000 e apoio técnico da WECF, incentivando a continuidade de seus projetos.

Desafios enfrentados por mulheres na busca por financiamento

Após a premiação, o diálogo continuou em uma sala de eventos paralelos, onde as mulheres expressaram suas frustrações com a falta de financiamento. Zukiswa White, assessora de gênero da Fenmet, destacou que as barreiras não estão na liderança feminina, mas na falta de apoio político e financeiro. Ela defendeu que o financiamento climático deve ser simplificado e direcionado para organizações de base lideradas por mulheres.

As mulheres de várias origens, do Brasil à República do Congo, afirmam estar na linha de frente da crise climática e são frequentemente as primeiras a encontrar soluções ou a lutar contra práticas prejudiciais ao meio ambiente. Dados da ONU indicam que as mulheres são um dos grupos mais vulneráveis às mudanças climáticas, enfrentando riscos desproporcionais em desastres naturais.

Chamado à ação: inclusão e reconhecimento nas decisões climáticas

Lídia Guajajara, uma liderança indígena no Maranhão, enfatizou que as mulheres têm um papel histórico na conservação do território e na luta por justiça climática. Ela pediu por apoio financeiro que não apenas recompense o trabalho passado, mas que também ofereça soluções para as comunidades e para o planeta.

Eriel Deranger, da Ação Climática Indígena no Canadá, criticou a dependência de bancos multilaterais para financiamento, defendendo que as comunidades já estão realizando as ações necessárias. A WECF propôs que o financiamento climático se concentre na igualdade de gênero, alocando recursos para projetos de mulheres e envolvendo-as nas decisões.

Concita Sõpré, cofundadora da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade, trouxe à tona os desafios que as mulheres enfrentam em áreas afetadas por garimpos, onde a contaminação por mercúrio tem sérias consequências para a saúde feminina. Ela ressaltou que, apesar de sua luta pela proteção do território, suas vozes são frequentemente ignoradas nas discussões sobre políticas ambientais.

Conclusão: a necessidade de ouvir as vozes femininas

A COP30 representa uma oportunidade crucial para que as vozes femininas sejam ouvidas e para que suas contribuições sejam devidamente reconhecidas e financiadas. As mulheres, que historicamente cuidam do território e da natureza, estão mais do que preparadas para liderar a mudança, mas precisam do apoio necessário para implementar soluções que beneficiem a todos. O que está em jogo é não apenas o futuro delas, mas o futuro do nosso planeta.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Governo Federal


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