Planalto esperava mais tempo para negociar medida e teme crise com Congresso
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi pego de surpresa com a decisão do presidente da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar nesta quarta-feira (25) o projeto que anula os efeitos do decreto presidencial que aumentou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A medida não estava no radar do Planalto e foi anunciada publicamente por Motta na véspera, em publicação na rede X (antigo Twitter), gerando forte reação interna.

Segundo apuração de Gerson Camarotti, do g1, o governo esperava mais tempo para articular uma solução negociada com o Congresso e cogitava aguardar a divulgação do relatório bimestral das contas públicas, previsto para 22 de julho. A avaliação no Planalto é que a votação repentina pode travar parte do orçamento, afetando o pagamento de emendas parlamentares.
Interlocutores do governo relatam que o decreto do IOF fazia parte de um conjunto de medidas econômicas já em fase de substituição por um novo pacote tributário. Um articulador político revelou que a iniciativa de Motta “não foi combinada” com o Executivo e amplia o mal-estar entre os poderes.
A equipe econômica defendia um debate mais estruturado sobre reajustes tributários, com base em dados atualizados de arrecadação e despesa. Agora, teme-se que a antecipação do tema aprofunde o desgaste com a base aliada e comprometa a margem fiscal.
Fontes do Congresso afirmam que a tendência é de aprovação com folga, repetindo o placar do último dia 16 de junho, quando a urgência do texto foi aprovada com apoio inclusive de deputados da base governista.
Além da possível revogação do decreto do IOF, a sessão desta quarta também inclui a votação de outros temas sensíveis: o projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até dois salários mínimos e duas medidas provisórias. A primeira permite o uso de até R$ 15 bilhões por ano do Fundo Social para programas de habitação popular. A segunda libera crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
A movimentação é interpretada por aliados como sinal de insatisfação crescente da Câmara diante do ritmo lento do governo na liberação de recursos e na articulação política. O episódio eleva a tensão entre Executivo e Legislativo em um momento crítico para o equilíbrio fiscal e a condução da pauta econômica.
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