Moro ficou sozinho?

A candidatura de Sergio Moro começa a ruir de dentro para fora. No Paraná, o Progressistas já não esconde sua preferência. Rafael Greca é citado em verso e prosa como alternativa — mesmo sem sequer fazer parte da federação. Moro vê sua própria federação trabalhar por um substituto que nem é filiado. É o tipo de recado que dispensa explicação.

Em Brasília, o cenário também mudou. Moro acreditava ter em Antonio Rueda e Davi Alcolumbre seus principais fiadores políticos. Já teve. Hoje, ambos se aproximam de Lula e reorganizam suas posições em torno de quem detém o poder real. O ex-juiz sobe à capital em busca de respaldo e encontra silêncio.

Nos bastidores, a leitura é direta: Moro deixou de ser prioridade. No Paraná nunca foi consenso. Agora em Brasília nem projeto é mais.

(Foto: Evaristo Sá/AFP)

O esvaziamento é tão evidente que até entre seus próprios aliados surgem sinais involuntários de constrangimento. Um dos assessores mais empolgados com sua candidatura fez questão de prestigiar — com curtida e compartilhamento — uma publicação recente da Folha de S.Paulo no Instagram que destacava a articulação de Gilberto Kassab ao filiar novos deputados em São Paulo. Um gesto pequeno, mas politicamente devastador. Até quem está ao lado de Moro parece reconhecer, ainda que em silêncio, onde a política de verdade está sendo construída.

Sua candidatura já não depende dele. Depende de alguém ainda querer sustentá-la.

Tem alguém aí? Pois até o assessor…