Investigação volta à pauta após nova manifestação da PGR

Ministro reabre inquérito após novas diligências da PGR sobre Bolsonaro.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a reabertura das investigações no inquérito que apura suposta interferência política de Jair Bolsonaro na Polícia Federal (PF) durante seu mandato na Presidência da República. A decisão atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que reviu sua posição e pediu novas diligências para aprofundar a apuração.
Detalhes do inquérito
O Inquérito 4.831 havia sido arquivado a pedido da própria PGR em 2022, sob o argumento de que não havia indícios de crime. Contudo, em nova manifestação datada de 15 de outubro de 2025, o órgão apontou a necessidade de diligências complementares, diante de indícios de que Bolsonaro buscou obter informações privilegiadas de investigações sigilosas e influenciar apurações que o envolviam.
Novas evidências
A nova manifestação da PGR cita declarações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que, em abril de 2020, denunciou tentativas de ingerência na PF. Diálogos via WhatsApp entre Bolsonaro e Moro indicam que o então presidente decidiu trocar o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, com o objetivo de controlar investigações sensíveis. Em uma das mensagens, Bolsonaro afirmou: “Moro, o Valeixo sai essa semana. Isto está decidido. Você pode dizer apenas a forma”.
Possíveis crimes investigados
Com base nesses elementos, a PGR busca esclarecer se houve uso indevido da estrutura do Estado para a obtenção de informações sigilosas e obstrução de investigações. O inquérito investiga crimes como falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução da Justiça e corrupção passiva privilegiada por parte de Bolsonaro.
Próximos passos
Moraes acolheu integralmente o pedido e determinou o retorno dos autos à PGR, que terá 15 dias para se manifestar sobre os próximos passos da investigação. O caso remonta a uma das crises políticas mais graves do governo Bolsonaro, marcada pela saída de Moro e pela suspeita de interferência no comando da PF, episódio que agora volta oficialmente à pauta do Supremo.










