Projeto propõe restaurar casarões históricos para habitação acessível e geração de renda na região central de São Paulo

Projeto de requalificação urbana transforma casarões em moradias acessíveis para populações vulneráveis em Campos Elíseos, São Paulo.
O modelo de requalificação urbana para moradia em Campos Elíseos está em desenvolvimento para promover habitações acessíveis a populações vulneráveis que vivem em condições precárias no centro de São Paulo. Idealizado pelos professores Lizete Maria Rubano e Antônio Aparecido Fabiano Júnior, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o projeto “Reconstruir sem destruir” propõe restaurar casarões históricos degradados, preservando suas fachadas e reconstruindo os interiores para abrigar moradores de pensões, cortiços e pessoas em situação de rua.
A origem e a decadência histórica dos Campos Elíseos em São Paulo
Campos Elíseos, nome inspirado na avenida parisiense Champs-Élysées, foi originalmente um bairro aristocrático ligado à economia cafeeira no final dos anos 1800. Mansões e palacetes compunham a região, mas a partir dos anos 1930, com o fim do ciclo do café, o bairro começou seu processo de decadência. A instalação e depois desativação do terminal rodoviário da Luz entre as décadas de 1960 e 1980 aceleraram a desvalorização imobiliária, transformando casarões em pensões e atraindo populações migrantes e vulneráveis.
O impacto social das transformações urbanas recentes no bairro
Nos anos 1990, o surgimento da cracolândia próxima à estação Júlio Prestes agravou os problemas sociais locais. Tentativas públicas de revitalização enfrentaram dificuldades até que, na década de 2010, uma Parceria Público-Privada (PPP) viabilizou a construção de milhares de apartamentos para famílias com renda a partir de um salário mínimo. Entretanto, esse modelo não alcançou as camadas mais pobres, que permanecem em moradias inadequadas e invisibilizadas.
Detalhes do projeto “Reconstruir sem destruir” para moradia acessível
O projeto dos professores do Mackenzie propõe a recuperação de casarões e prédios abandonados nas quadras 37 e 38 de Campos Elíseos, com restauração das fachadas e reconstrução dos interiores. Essa intervenção respeita unidades vizinhas, como uma unidade de saúde, escola estadual e condomínio residencial existente. Além da recuperação física, o modelo prevê a criação de habitações transitórias, fixas e coletivas, oficinas de costura, serralheria e carpintaria, além de cozinhas comunitárias para fomentar geração de renda e integração social.
Metodologia para equilibrar preservação do patrimônio e inclusão social
O método de reconstrução pensado para Campos Elíseos busca evitar despejos ao incorporar andares mesclados e utilizar terrenos vagos laterais, promovendo uma requalificação gradual. O reaproveitamento de entulho triturado visa reduzir custos e minimizar impactos ambientais. Elementos arquitetônicos típicos da região, como terraços, pátios, quintais, fosso e soleiras, são valorizados para estimular convivência e atividades comunitárias.
Perspectivas e desafios para a requalificação urbana inclusiva em São Paulo
A proposta de Campos Elíseos serve como um referencial para outras regiões centrais que enfrentam o desafio de conciliar valorização imobiliária com a manutenção de moradias para os mais pobres. Segundo os autores, o bairro simboliza a tensão entre a gentrificação e a permanência dos grupos vulneráveis. Autoridades estaduais e municipais confirmaram a continuidade de investimentos em habitação popular, incluindo novas PPPs e direcionamento de recursos da outorga onerosa para famílias de baixa renda.
Este modelo de requalificação evidencia a importância de políticas urbanas integradas que valorizem o patrimônio histórico enquanto promovem inclusão social e geração de trabalho, buscando reinventar espaços degradados para uma convivência mais justa e sustentável na cidade.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress





