Ministro Fux propõe revisão de políticas contra racismo após erro em sessão

Fux discute a necessidade de ações efetivas para combater desigualdade racial no Brasil

Ministro Fux propõe revisão de políticas contra racismo após erro em sessão
Ministro Luiz Fux durante sessão no STF. Foto: Folhapress

Ministro Luiz Fux propõe revisão de políticas públicas após discussão sobre racismo no STF.

Proposta de revisão das políticas contra racismo no Brasil

Na tarde desta quarta-feira (26), o ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), votou em uma ação significativa sobre desigualdade racial, abordando a necessidade de uma revisão nas políticas públicas que visam combater o racismo no Brasil. A ação, que é relatoria de Fux, discute a declaração do “estado de coisas inconstitucional”, reconhecendo a violação sistemática dos direitos fundamentais da população negra.

Durante sua fala, Fux utilizou a expressão “passado negro”, que gerou controvérsia e que ele mesmo corrigiu em seguida. O ministro destacou que é crucial que a Suprema Corte examine a noção de um estado de coisas inconstitucional, especialmente neste contexto de desigualdade racial.

Contexto da ADPF 973

A ADPF 973, que está sendo discutida, foi proposta por um conjunto de partidos e tem como objetivo abordar a violação de direitos fundamentais da população negra. O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, incluiu essa questão na pauta especial da Semana da Consciência Negra, ressaltando a sua relevância.

Fux apontou que as políticas atuais voltadas para a igualdade racial são insuficientes. Ele citou as cotas raciais como um exemplo de uma medida que, embora necessária, não é suficiente para resolver as origens do problema. O relator sugeriu que o Executivo revise o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial, ou até mesmo elabore um novo plano, com metas e prazos bem definidos.

Fiscalização e monitoramento das políticas

Além disso, o ministro propôs que as medidas implementadas sejam fiscalizadas pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A ideia é garantir que as ações sejam efetivas e que os resultados sejam monitorados continuamente. Na sessão, apenas o ministro Flávio Dino acompanhou Fux na votação, apoiando a necessidade de ações mais rigorosas.

Reconhecimento da violação contínua de direitos

Fux concluiu seu voto sugerindo que o STF reconheça a contínua violação dos direitos fundamentais da população negra. Ele enfatizou que a revisão do plano deve incluir ações nas áreas de saúde, segurança alimentar, segurança pública e proteção da vida. Além disso, a proposta deve prever políticas reparatórias e de construção de memória sobre as contribuições dessa população ao Brasil.

Protocólos de atendimento aos negros no Judiciário

Para o sistema Judiciário, Fux sugeriu a criação de protocolos específicos de atendimento às pessoas negras, abrangendo órgãos como tribunais, Ministério Público, Defensorias e polícias. Essa medida visa garantir que as necessidades e direitos da população negra sejam respeitados e atendidos adequadamente.

Reflexões sobre a história racial do Brasil

O ministro fez um apanhado histórico sobre a questão racial no Brasil, desde a abolição da escravatura até os desafios atuais enfrentados por essa população. Ele apontou que as gerações que se seguiram à abolição permaneceram presas em um ciclo de pobreza, resultado da falta de oportunidades e da incapacidade do Estado de promover condições favoráveis para a ascensão social.

Partidos como PT, PSOL, PSB, PCdoB, Rede Sustentabilidade, PDT e PV destacam a violação de direitos à vida, à saúde e à segurança digna, além do aumento da letalidade entre pessoas negras devido à violência policial e institucional.

A discussão sobre a ADPF 973 deve ser retomada na quinta-feira (27), com a expectativa de que novas deliberações sejam feitas para avançar na luta contra a desigualdade racial no país.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress