Projeto orçamentário de 2026 marca nova fase fiscal e amplia reformas sob governo ultraliberal

O Congresso argentino aprovou o primeiro orçamento do governo Milei para 2026, sinalizando compromisso com equilíbrio fiscal e novas reformas econômicas.
O Congresso argentino aprovou, na sexta-feira, 26 de dezembro de 2025, o primeiro orçamento do governo do presidente ultraliberal Javier Milei, em uma decisão que encerra um período de incertezas fiscais e abre caminho para uma agenda de reformas econômicas profundas.
Aprovação do Orçamento: Marco de Governabilidade para Milei
Após mais de oito horas de intensa discussão, o Senado aprovou o projeto orçamentário para 2026 com 46 votos favoráveis, 25 contrários e uma abstenção. A aprovação representa um apoio significativo do Congresso ao Executivo, refletindo a maior bancada governista conquistada nas eleições legislativas de outubro.
O orçamento prevê:
Inflação projetada em 10,1%
Crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estimado em 5%
Meta de equilíbrio fiscal, considerada a “linha vermelha” para evitar crise econômica
A senadora Patricia Bullrich, líder do bloco governista, enfatizou que o “déficit zero não se negocia”, ressaltando o compromisso do governo com a estabilidade financeira.
Cortes e Polêmicas no Financiamento Público
Um dos pontos mais controversos aprovados foi a eliminação dos pisos mínimos de financiamento para setores estratégicos como educação, ciência e defesa. Além disso, o orçamento impõe critérios administrativos mais rigorosos para que universidades possam acessar recursos públicos, o que gerou críticas intensas da oposição.
O senador opositor José Mayans criticou duramente o projeto, afirmando que o orçamento “destrói o sistema de ensino” e classificou o processo legislativo como “expresso” e desatualizado.
Por sua vez, Patricia Bullrich defendeu a mudança, argumentando que “não se está ajustando aos mais vulneráveis, mas instalando a liberdade”.
Contexto Econômico: Ajustes e Expectativas
Até então, Milei governava com o orçamento prorrogado de 2023, um cenário que agravou o desfinanciamento de áreas essenciais devido à alta inflação dos últimos anos: 211% em 2023, 118% em 2024 e quase 30% em 2025.
O cientista político Carlos Fara destacou que o novo orçamento sinaliza “um caminho de normalidade” para investidores e mercados, demonstrando maior governabilidade e compromisso fiscal.
A Argentina, maior devedora do Fundo Monetário Internacional (FMI), precisa comprovar capacidade de gestão para negociar melhores condições com seus credores externos.
Calendário de Reformas e Perspectivas Futuras
Com uma base fortalecida no Congresso e apoio de governadores de outras forças políticas, o presidente Milei planeja avançar em uma série de reformas durante os próximos dois anos.
Principais pontos previstos:
Reforma trabalhista – debate adiado para fevereiro de 2026
Reformas tributárias e previdenciárias – propostas esperadas para os próximos meses
Milei já alertou a população: “Apertem os cintos, porque haverá muito mais reformas”.
Desde o início de seu mandato, o presidente promoveu um corte de 27,7% nos gastos públicos, segundo o Ministério da Economia, uma medida que a oposição denuncia como “superávit fiscal às custas de deficit social e soberania”.
Como Participar e Acompanhar as Reformas
Para cidadãos argentinos e interessados em acompanhar as mudanças econômicas e políticas do país, recomenda-se:
Acompanhar as sessões do Congresso argentino, especialmente os debates sobre as reformas trabalhistas, tributárias e previdenciárias
Consultar os comunicados oficiais do Ministério da Economia da Argentina
Buscar análises de especialistas e cientistas políticos sobre os impactos das medidas aprovadas
A aprovação do primeiro orçamento de Milei marca um momento decisivo para a Argentina, sinalizando um esforço governamental para conter a inflação, equilibrar as contas públicas e implementar reformas estruturais que prometem alterar profundamente o quadro econômico e social do país nos próximos anos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: AFP










